De Mussolini a Trump: como ditadores interferiram na história das Copas do Mundo

Donald Trump e Gianni Infantino com a taça da Copa do Mundo. Foto: reprodução

A decisão da Fifa de liberar o atacante Folarin Balogun para disputar as oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, após um pedido feito diretamente pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reacendeu um debate recorrente na história do futebol: a influência da política sobre o principal torneio da modalidade.

Trump havia evitado interferir publicamente na competição organizada em conjunto por Estados Unidos, Canadá e México. Mas, na última semana, telefonou ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, para solicitar a revisão da suspensão de Balogun, expulso na vitória americana sobre a Bósnia-Herzegovina.

Dias depois, a entidade anunciou que seu Comitê Disciplinar havia alterado a punição. Em vez de cumprir suspensão automática por uma partida, o atacante recebeu uma suspensão condicional válida por um ano, ficando apto para enfrentar a Bélgica nas oitavas de final.

A decisão provocou forte reação no futebol internacional, especialmente da federação belga, mas está longe de ser um caso isolado. Ao longo da história, ditaduras e líderes políticos já tentaram usar a Copa do Mundo como ferramenta de propaganda ou exercer influência direta sobre a competição.

1934: Mussolini transforma a Copa em vitrine do fascismo

A segunda edição da Copa do Mundo foi disputada na Itália fascista. Benito Mussolini enxergou o torneio como uma oportunidade para promover internacionalmente seu regime.

O ditador acompanhava todas as partidas, visitava os vestiários da seleção italiana e, segundo diversos relatos históricos, a arbitragem favoreceu os donos da casa em momentos decisivos. A Itália conquistou o título, e posteriormente a Fifa baniu para sempre dois árbitros envolvidos naquela edição.

1938: fascismo e nazismo dominam o cenário

Às vésperas da Segunda Guerra Mundial, a política voltou a tomar conta do Mundial.

Após a anexação da Áustria pela Alemanha nazista, o país desistiu da competição e vários jogadores austríacos foram obrigados a defender a seleção alemã, além de realizar a saudação nazista antes das partidas.

A Itália voltou a conquistar o título. Os atletas italianos entraram em campo usando uniformes pretos, símbolo do fascismo, e receberam de Mussolini uma mensagem que atravessou a história: “Vencer ou morrer.”

O ditador fascista Benito Mussolini. Foto: reprodução

1978: Copa da Argentina é marcada pela ditadura de Videla

Organizada durante o regime militar do general Jorge Rafael Videla, a Copa de 1978 serviu como instrumento de propaganda da ditadura argentina.

Dentro de campo, a conquista do primeiro título mundial da Argentina ficou marcada pelas suspeitas envolvendo a vitória por 6 a 0 sobre o Peru, resultado necessário para eliminar o Brasil e colocar os argentinos na final.

Embora nunca tenham surgido provas definitivas, diversos depoimentos levantaram suspeitas de um acordo entre as ditaduras da Argentina e do Peru para favorecer os anfitriões.

1982: xeique invade o gramado e muda decisão da arbitragem

Na partida entre França e Kuwait, válida pela Copa da Espanha, um episódio inédito chamou a atenção do mundo.

Após um gol francês, o xeique Fahad Al-Ahmed Al-Jaber Al-Sabah, presidente da federação do Kuwait e integrante da família real, invadiu o gramado para protestar contra a validação do lance.

Em meio à confusão, o árbitro voltou atrás e anulou o gol, uma decisão que acabou lhe rendendo o banimento vitalício imposto pela Fifa.

2026: Trump consegue revisão da punição de Balogun

O caso mais recente aconteceu na Copa de 2026.

Inconformado com o cartão vermelho recebido por Folarin Balogun, Donald Trump procurou pessoalmente Gianni Infantino para pedir que a punição fosse revista.

Quatro dias depois, a Fifa anunciou que a suspensão automática havia sido convertida em uma suspensão condicional de um jogo, acompanhada de um período de experiência de um ano.

Com isso, Balogun, artilheiro da seleção americana no Mundial com três gols, foi liberado para enfrentar a Bélgica nas oitavas de final.

A decisão provocou indignação na Bélgica, cuja federação estuda medidas para contestar a mudança, e recolocou em evidência uma discussão que atravessa quase um século de Copas do Mundo: até onde a política pode influenciar o futebol.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/de-mussolini-a-trump-como-ditadores-interferiram-na-historia-das-copas-do-mundo/