Gianni Infantino precisa deixar a presidência da Fifa. A decisão de anular a suspensão de Folarin Balogun após uma intervenção direta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rompe um dos princípios mais básicos do esporte: a igualdade de tratamento.
As regras da Copa do Mundo são claras. Um cartão vermelho implica suspensão automática na partida seguinte. Foi exatamente isso que aconteceu com o zagueiro inglês Jarell Quansah, expulso contra o México e obrigado a cumprir a punição nas quartas de final.
Balogun recebeu tratamento completamente diferente. Depois de Trump telefonar para Infantino e defender que a punição era excessiva, a Fifa encontrou uma justificativa para liberar o principal atacante da seleção anfitriã. Não importa o dispositivo jurídico utilizado. O que importa é a mensagem transmitida ao mundo: uma decisão disciplinar pode ser revertida quando há pressão política suficiente.
Se a suspensão de Balogun podia ser anulada, por que a de Quansah continua valendo? Se havia margem para reinterpretar a regra, todas as seleções deveriam ter recebido a mesma oportunidade. A partir do momento em que apenas um país foi beneficiado, desaparece qualquer aparência de imparcialidade.
O precedente já começou a produzir efeitos. A Federação Francesa de Futebol entrou com um pedido formal na Fifa para cancelar o cartão amarelo recebido por Michael Olise na vitória por 1 a 0 sobre o Paraguai, pelas oitavas de final da Copa do Mundo. Segundo o New York Times, a entidade francesa argumenta que as imagens mostram que não houve qualquer contato do camisa 11 com o paraguaio Galarza no lance que originou a advertência.
Olise foi punido após um desentendimento com o adversário nos minutos finais da partida, depois de fazer um gesto de silêncio em sua direção. A federação francesa sustenta que o amarelo foi aplicado de forma equivocada e espera que a Fifa reveja a decisão.
Independentemente do mérito do recurso francês, o simples fato de ele existir demonstra que a própria Fifa destruiu a previsibilidade de seu sistema disciplinar. Ao abrir uma exceção para Balogun, a entidade passou a incentivar outras seleções a recorrerem contra cartões e suspensões. O que antes era tratado como decisão definitiva tornou-se objeto de disputa política e jurídica.

O dano é ainda maior porque envolve justamente a equipe anfitriã da competição. Se Balogun decidir a partida contra a Bélgica ou qualquer outro confronto daqui para frente, sua participação será lembrada não apenas pelos gols, mas pela intervenção política que permitiu sua permanência no torneio.
A Copa do Mundo de 2026 vinha sendo um sucesso. Estádios cheios, partidas equilibradas, grandes atuações e resultados memoráveis, como a eliminação do Brasil pela Noruega, reforçavam o valor esportivo do torneio. Bastou uma decisão para lançar uma sombra sobre toda a competição.
A Fifa passou anos tentando reconstruir sua imagem depois dos escândalos de corrupção que destruíram a era Sepp Blatter. Infantino prometeu uma entidade mais transparente, mais técnica e menos vulnerável a interesses externos. O episódio Balogun demonstra exatamente o contrário. Ao aceitar rever uma punição logo após a intervenção do presidente do país-sede, o dirigente comprometeu a credibilidade da instituição que deveria proteger.
No futebol, a confiança nas regras vale tanto quanto os gols. Quando um presidente consegue fazer o que advogados, técnicos e federações jamais conseguiram, a competição deixa de ser decidida apenas dentro de campo.
Infantino já perdeu a autoridade moral necessária para comandar a Fifa. Ao abrir a porta para que decisões disciplinares sejam revistas conforme o peso político de quem as contesta, colocou em risco a integridade da Copa do Mundo e da própria Fifa. Para preservar a credibilidade do futebol mundial, resta apenas uma saída: renunciar.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/comprado-por-trump-gianni-infantino-precisa-renunciar/

