Enquanto a decisão da Fifa de anular a suspensão de Folarin Balogun provocou indignação no planeta ao expor o favorecimento aos Estados Unidos, um colunista do Athletic, site esportivo do New York Times, saiu em defesa da atuação da Casa Branca e sustentou, na maior cara de pau, que Donald Trump fez o que qualquer governo deveria fazer: usar sua influência para garantir vantagem à própria seleção.
No artigo intitulado “Podem nos odiar por isso, mas os Estados Unidos fizeram o que era necessário para o retorno de Folarin Balogun”, Ian O’Connor argumenta que os americanos não apenas estão certos em recorrer da punição como tinham a obrigação de mobilizar todos os recursos políticos, jurídicos e institucionais disponíveis para manter em campo um de seus principais jogadores.
O articulista ironiza as críticas vindas da Europa. Ele lembra que o técnico da Bélgica, Rudi Garcia, comparou a decisão da Fifa a uma piada de Primeiro de Abril, que dirigentes europeus classificaram a medida como “incompreensível” e “injustificável”, enquanto Michel Platini a chamou de “vergonhosa” e Wayne Rooney afirmou que a reversão da suspensão era “uma vergonha absoluta”.
Para O’Connor, porém, essas reações refletem apenas o fato de que o benefício foi concedido aos Estados Unidos.
Segundo ele, se um jogador da Bélgica, da França ou da Inglaterra tivesse sido expulso injustamente em uma fase eliminatória da Copa do Mundo, esses mesmos países estariam comemorando uma decisão semelhante.
O colunista afirma que, durante décadas, os Estados Unidos encararam a conquista da Copa do Mundo como um objetivo praticamente impossível. Agora, porém, com a melhor geração de jogadores da história do país, um técnico de nível internacional, Mauricio Pochettino, e a vantagem de disputar o torneio em casa, a oportunidade seria única.
Por isso, argumenta, os dirigentes americanos não poderiam aceitar passivamente uma decisão da arbitragem que, em sua avaliação, retirou Balogun de forma injusta do restante da competição.
O texto sustenta que o cartão vermelho aplicado após revisão do VAR foi exagerado e jamais deveria ter resultado em expulsão. Segundo o articulista, permanecer em silêncio diante da decisão seria desperdiçar a maior oportunidade que o futebol americano já teve de conquistar um título mundial.
Na visão de O’Connor, qualquer presidente dos Estados Unidos deveria agir da mesma forma, independentemente de seu partido.
Ele escreve que, se um chefe de Estado tem acesso ao presidente da Fifa e pode tentar impedir que a seleção anfitriã seja prejudicada por um erro de arbitragem, essa ligação “deveria absolutamente ser feita”.
O articulista também elogia a força-tarefa organizada para reverter a punição. Segundo ele, Trump, o secretário de Comércio Howard Lutnick, Andrew Giuliani, responsável pela força-tarefa da Casa Branca para a Copa do Mundo, e o empresário Scott Goodwin reuniram uma equipe de advogados para pressionar a Fifa. “O plano funcionou”, resume.
O’Connor reproduz ainda a declaração de Trump de que apenas pediu uma revisão do caso, sem exigir um resultado específico. O presidente americano admitiu não saber o significado de um cartão vermelho antes da polêmica, mas classificou a expulsão de Balogun como “uma decisão horrível” e afirmou que “os melhores jogadores precisam estar em campo”.
Embora reconheça ser difícil acreditar que a influência política de Trump não tenha pesado na decisão da Fifa, o colunista minimiza esse aspecto. Para ele, qualquer país participante da Copa teria recorrido aos mesmos expedientes se estivesse na mesma situação.
A defesa da intervenção política é reforçada por uma declaração de Mauricio Pochettino reproduzida no artigo. O treinador afirma que os Estados Unidos foram os verdadeiros prejudicados pelo cartão vermelho e rejeita a ideia de que sua equipe tenha recebido tratamento privilegiado, lembrando que o time precisou disputar mais de meia hora com um jogador a menos.
O’Connor sustenta que a controvérsia jamais foi sobre favorecimento ou política, mas corrigir uma injustiça e preservar as chances da seleção americana de conquistar a Copa do Mundo. E encerra com uma pergunta escrota que resume sua posição: “Que país, na mesma situação, não faria exatamente a mesma coisa?”
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/colunista-do-new-york-times-defende-mao-grande-de-trump-na-fifa-para-favorecer-os-eua/

