Tragédia na Venezuela foi anunciada pelo Japão há 21 anos

Equipes de resgate trabalham no local de um complexo de edifícios desabado em La Guaira, na Venezuela. Foto: Reprodução

Um estudo entregue pela Agência de Cooperação Internacional do Japão à Venezuela há 21 anos recomendou medidas para reduzir danos de terremotos na região de Caracas, incluindo reforço em cerca de 180 mil edifícios, sistemas de alerta precoce e reassentamento de moradores de áreas de risco.

O documento voltou a circular na imprensa local depois dos terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 que atingiram o norte da Venezuela em 24 de junho. Dados do governo venezuelano indicavam até a segunda-feira (06) 3,5 mil mortos, 16 mil feridos e 190 edifícios desabados.

Equipes de resgate ainda buscam centenas de desaparecidos. Os tremores causaram destruição em áreas próximas a Caracas e em pontos do estado de La Guaira, onde prédios inteiros ruíram após os abalos.

O relatório japonês começou a ser elaborado em 2002 a pedido do próprio governo venezuelano e foi entregue oficialmente em 2005, durante o governo de Hugo Chávez. O plano avaliou riscos sísmicos na região metropolitana de Caracas e propôs 20 projetos para reduzir impactos de terremotos e deslizamentos de terra.

Escombros na Venezuela. Foto: reprodução

Plano previa obras, alertas e reassentamento

Sete propostas receberam classificação de prioridade. Entre elas estavam o reforço estrutural de edifícios vulneráveis, o fortalecimento de pontes, a construção de barragens para conter lama e pedras, a criação de um centro de comando para emergências e a instalação de sistemas de alerta à população.

Os técnicos estimaram custo de cerca de US$ 2,8 bilhões ao longo de 16 anos para executar o programa. Aproximadamente US$ 2,6 bilhões seriam destinados ao reforço dos edifícios, a parte mais cara do plano.

Não há informação clara sobre quantas recomendações a Venezuela implementou. Especialistas ouvidos pela agência DW afirmam que as condições das construções contribuíram para o alto número de prédios destruídos nos terremotos de junho, com obras erguidas rapidamente, fiscalização limitada e pouca transparência.

O estudo também simulou cenários de destruição em Caracas. Em um tremor semelhante ao de 1812, de magnitude 7,1, a estimativa chegava a mais de 32 mil edifícios gravemente danificados, 2.528 mortos e 17,6 mil feridos; com reforço estrutural, os técnicos calculavam queda para 5.260 prédios com danos graves e 274 mortes.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/estudo-japao-risco-tragedia-venezuela-terremotos/