Alemanha investiga patrocinadora da FIFA que atua no mercado de apostas

Gianni Infantino no anúncio do acordo da Fifa com a ADI Predictstreet. Foto: reprodução

A crise de credibilidade da FIFA ganhou mais um capítulo. Enquanto a entidade ainda tenta conter o desgaste provocado pela decisão de suspender, após pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o cartão vermelho aplicado ao atacante Folarin Balogun durante a Copa do Mundo de 2026, agora uma de suas parceiras comerciais está na mira das autoridades alemãs.

O órgão regulador de jogos de azar da Alemanha abriu uma investigação contra a ADI Predictstreet, empresa promovida intensamente durante as transmissões da Copa do Mundo graças ao contrato firmado com a FIFA como “parceira oficial de mercados de previsão”.

O caso representa mais um constrangimento para o presidente Gianni Infantino, cuja gestão já vinha sendo duramente criticada pela interferência política no Mundial.

Segundo a Autoridade Conjunta de Jogos de Azar dos Estados da Alemanha, a investigação busca determinar se a ADI Predictstreet violou a legislação alemã ao anunciar seus serviços durante a Copa mesmo sem possuir licença para operar apostas no país. Os reguladores também apuram se consumidores alemães conseguiram acessar a plataforma, o que configuraria oferta ilegal de jogos.

Embora a empresa possua licença em Gibraltar e opere nos Estados Unidos por meio de acordos regulatórios, ela nunca recebeu autorização para atuar na Alemanha.

Publicidade considerada irregular

Durante o Mundial, a marca da ADI Predictstreet apareceu de forma ostensiva em placas de LED ao redor dos gramados, telões dos estádios, entrevistas coletivas e transmissões de televisão, graças ao acordo comercial firmado com a FIFA.

A legislação alemã proíbe a promoção de operadores de apostas sem autorização local e impõe regras rígidas de proteção ao consumidor, combate ao vício em jogos, limites de gastos e mecanismos de autoexclusão.

As autoridades investigam justamente se essa enorme exposição durante o principal evento do futebol mundial constituiu publicidade ilegal.

Após a intervenção do regulador, a empresa passou a bloquear o acesso de usuários localizados na Alemanha. Quem tenta acessar o serviço a partir do país recebe a mensagem informando que o acesso foi restringido.

O bloqueio ocorreu diretamente em consequência das medidas adotadas pelas autoridades alemãs.

Reguladores europeus fazem alerta

A investigação ocorre em meio ao aumento da preocupação dos órgãos reguladores europeus com plataformas de mercados de previsão, que misturam características de apostas esportivas e mercados financeiros.

Recentemente, nove reguladores de jogos de azar da Europa divulgaram um alerta conjunto afirmando que essas plataformas podem facilitar fraudes, manipulação de mercado, uso de informação privilegiada, lavagem de dinheiro e incentivar o vício em jogos, justamente por operarem, em muitos casos, fora das estruturas tradicionais de fiscalização.

O grupo também advertiu entidades esportivas para que escolham parceiros comerciais que cumpram a legislação dos países onde atuam — um recado que atinge diretamente a FIFA.

Mais desgaste para Infantino

Apesar das investigações, a ADI Predictstreet segue expandindo seus negócios e anunciou recentemente uma parceria estratégica com a plataforma Kalshi, outra empresa de mercados de previsão que também enfrenta problemas regulatórios em diversos países.

As duas pretendem ampliar sua presença durante a fase decisiva da Copa do Mundo, mantendo exposição conjunta em estádios, transmissões e plataformas digitais.

Enquanto isso, aumentam as dúvidas sobre os critérios adotados pela FIFA para selecionar seus parceiros comerciais.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/alemanha-investiga-patrocinadora-da-fifa-que-atua-no-mercado-de-apostas/