A Europa Filmes, responsável pela distribuição de “Dark Horse”, decidiu lançar o longa que homenageia o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) apenas depois das eleições, a partir de novembro. A estratégia busca reduzir o risco de questionamentos na Justiça Eleitoral e afastar a produção da disputa política. A empresa planeja uma estreia de grande porte, em pelo menos 650 salas pelo país, com 99% das cópias dubladas.
“Eu acho uma grande cagada isso [lançar durante as eleições]. Qualquer pessoa, de qualquer lado que esteja, vai achar imoral. O meu acordo com a produtora [a Go Up Entertainment, que nunca lançou filme nos cinemas brasileiros] é que eu não lançaria antes das eleições”, afirmou Wilson Feitosa, diretor-geral da Europa Filmes, ao Globo.
Segundo ele, o filme ainda não tem data definida, mas será lançado neste ano. “Não tem data ainda [de estreia de ‘Dark Horse’], com certeza não será antes de novembro, mas ainda será neste ano, independentemente de quem ganhar [as eleições]. Ninguém vai estar disputando nada, ninguém vai estar usando essa obra de arte como meio de divulgação política. Isso aconteceria se fosse lançado antes [das eleições]”.
A produção é alvo de polêmica após revelações sobre um suposto financiamento de R$ 61 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro, articulado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência. Mensagens obtidas pelo Intercept Brasil ampliaram a crise na pré-campanha do filho 01 de Jair Bolsonaro.

Feitosa trabalha com três cenários de bilheteria. No mais pessimista, “Dark Horse” repetiria o desempenho de “Lula, o Filho do Brasil”, com cerca de 800 mil espectadores. No cenário considerado realista, alcançaria entre 1,5 milhão e 2 milhões de ingressos vendidos. Na projeção otimista, superaria 2 milhões, marca atingida por poucos filmes nacionais no pós-pandemia.
O diretor reconhece que o longa não deve ter o impulso de premiações internacionais. “Não é filme que vai ser indicado para o Oscar, não vai concorrer para indicação, mas tem esse selo hollywoodiano de qualidade”, disse.
Grandes redes de cinema, no entanto, demonstram resistência à obra por temerem baixo desempenho comercial e possíveis conflitos entre bolsonaristas e lulistas em shoppings e salas de exibição. “Vou ter de conversar com todos eles, não acho que eles estão 100% errados, é possível que tenha reações de tudo que é lado”, admitiu Feitosa.
O trailer divulgado no exterior apresenta Bolsonaro como “voz do povo” que “enfrentou o sistema”, com foco na facada sofrida durante a campanha de 2018, em Juiz de Fora (MG), e em sua recuperação médica. A Europa Filmes pretende lançar uma versão brasileira do trailer em até dois meses.
“Quero que seja um filme humano, tem de ser sensível, emocionante. Ele não pode ter esse cunho político que possam dar”, afirmou o executivo.
“O filme conta uma história que poderia ser de qualquer outra pessoa, mas é um ex-presidente e acabou criando essa polêmica toda. Pra mim, é um filme comum. Qualquer ação [judicial] que vier em cima do filme é de quem o fez, de quem criou. O meu trabalho é apenas distribuir”.
Feitosa diz que não pretende procurar a campanha de Flávio Bolsonaro para tratar da divulgação. “Eu quero que o filme esteja bem longe de toda essa polêmica, que seja vendido como um filme humano, que seja emocionante. Se, depois de lançado, ele vai dar bônus para alguém politicamente, tô cagando. Não tô nem aí”, afirmou.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/distribuidora-revela-os-planos-para-o-lancamento-de-dark-horse-filme-sobre-bolsonaro/

