Após reprimenda da equipe por tentar fazer vídeos para lacração dentro do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), nos EUA, Eduardo Bolsonaro (PL-SP) protagonizou mais um momento de submissão aos interesses de Donald Trump e gargalho ao ouvir de Shane Jett, senador “estadual” de Oklahoma, que ele pretende vir ao Brasil para interferir nas eleições.
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“Eu sou fã de você (SIC). Se eu votasse em Oklahoma eu ia votar em você”, afirmou Eduardo, bajulando o trompista radical.
Flávio, então, emenda dizendo que sua candidatura “é um projeto de Deus no Brasil”.
Jett diz “amém” e revela que está vindo para o Brasil no início da campanha eleitoral, em agosto, para doutrinação da Freedom Caucus, instituição ultraconservadora de cunho religioso que atua na política dos EUA e está sendo exportada, chegando por aqui por meio do bolsonarismo.
“Eu estou indo lá em agosto para fazer algumas palestras políticas, para te apoiar”, diz o trumpista radical ouvindo risadas de Eduardo Bolsonaro. Ao lado. Flávio Bolsonaro faz gesto com o braço comemorando a adesão do radical.
https://x.com/revistaforum/status/2074850048974741986
Trumpismo radical
Embora ocupe apenas uma cadeira no Senado estadual de Oklahoma, o republicanos Shane Jett tornou-se uma peça relevante na engrenagem da ultradireita norte-americana que busca expandir sua influência para além das fronteiras dos Estados Unidos.
Trumpista radical, ex-oficial da Marinha e fluente em português após viver em Belo Horizonte, Jett reúne características raras entre parlamentares estaduais americanos.
Casado com uma brasileira e com forte inserção em redes evangélicas, transformou-se em um interlocutor natural entre setores conservadores dos EUA e lideranças da direita brasileira, assumindo nos últimos anos uma postura pública de defesa de Jair Bolsonaro e de críticas ao Supremo Tribunal Federal.
A projeção de Jett ganhou novo impulso em 2024, quando assumiu a presidência do Oklahoma Freedom Caucus, braço estadual da rede nacional de caucuses conservadores inspirada no House Freedom Caucus de Washington.
O grupo nasceu com a proposta de empurrar o Partido Republicano ainda mais à direita, pressionando inclusive parlamentares republicanos considerados moderados. Sua plataforma combina redução do Estado, combate ao aborto, defesa do porte de armas, oposição às políticas de diversidade, rejeição ao que classifica como “globalismo” e promoção da família tradicional e dos valores cristãos como eixo da ação política.
Mais do que um agrupamento legislativo, o Freedom Caucus funciona como uma rede de mobilização política e ideológica. Integrado à State Freedom Caucus Network, o movimento compartilha estratégias, campanhas e pautas com organizações conservadoras que orbitam o trumpismo e eventos como a CPAC, que no Brasil fica sob o comando de Eduardo Bolsonaro.
É nesse ambiente que temas religiosos deixam de ocupar apenas o espaço das igrejas e passam a orientar projetos de lei, disputas eleitorais e campanhas culturais. O discurso da “liberdade religiosa”, da “defesa da civilização cristã” e do enfrentamento ao chamado “marxismo cultural” tornou-se uma das principais moedas de circulação entre esses grupos, aproximando lideranças conservadoras dos Estados Unidos e da América Latina.
É justamente essa combinação de ativismo religioso, articulação política e afinidade ideológica que explica a crescente presença de Shane Jett no debate brasileiro.
Nos últimos anos, o senador estadual passou a defender publicamente Bolsonaro, enviar ofícios às autoridades brasileiras e utilizar suas redes sociais para denunciar a fictícia perseguição judicial ao ex-presidente.
Não há evidências públicas de que integre formalmente a estratégia política do clã Bolsonaro, mas sua atuação ilustra como a internacionalização da ultradireita deixou de depender apenas de líderes nacionais e passou a contar com uma malha de parlamentares estaduais, think tanks, organizações religiosas e movimentos conservadores capazes de difundir narrativas e coordenar agendas muito além de suas respectivas fronteiras.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/eduardo-flavio-bolsonaro-bajula-trumpista-risada-interferencia/

