Para Sonia Castral, liderança não se mede pela concentração de protagonismo nem pela pretensão de ter todas as respostas. O papel do líder, na sua visão, é criar condições para que o time cresça, participe das decisões e seja reconhecido pelos resultados que constrói em conjunto.
Ao revisitar mais de 40 anos de carreira, a especialista do IT Forum Inteligência resume seus principais aprendizados em três movimentos: continuar estudando, valorizar as pessoas e ouvir antes de formar opinião. “O resultado não é só seu. O time fez”, afirma, ao reforçar que conquistas de liderança raramente são individuais.
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Essa visão orienta também sua leitura sobre o papel das lideranças de tecnologia. Para ela, profissionais de TI precisam ir além da infraestrutura e da entrega técnica. Devem conhecer os negócios, entender os processos, aproximar-se das áreas impactadas e traduzir tecnologia em valor.
Caminho da tecnologia
A trajetória que levou Sonia à tecnologia começou por um desvio inesperado. Aos 15 anos, uma lesão no joelho interrompeu sua rotina como jogadora de tênis e mudou os planos de seguir carreira em Medicina. Depois de passar dias internada por causa de uma cirurgia, decidiu que aquele já não era o caminho que queria trilhar.
Incentivada pelo pai e por uma tia, passou a frequentar cursos de computação na USP de São Carlos, no interior de São Paulo, em uma época em que linguagens como Fortran, RPG e Cobol dominavam o mercado. O contato com laboratórios, data centers e os primeiros computadores despertou um interesse definitivo pela área. Aos 17 anos, ela já sabia que queria trabalhar com tecnologia.
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Graduada em Análise de Sistemas pela PUC-Campinas, Sonia construiu uma carreira marcada por projetos de transformação digital, fusões empresariais e liderança em multinacionais dos setores farmacêutico e de alimentos.
Entre os projetos mais marcantes em que esteve envolvida, ela destaca a implantação de um ERP na Bunge Alimentos, no início dos anos 2000. O projeto envolveu 22 fábricas, cerca de 5 mil usuários e uma equipe de 130 profissionais dedicados integralmente à iniciativa. “Mais do que a entrega tecnológica, esse projeto teve impacto na formação de lideranças. Profissionais vindos de unidades remotas retornaram às suas operações em posições de maior responsabilidade, como líderes e usuários-chave”, lembra.
Outro eixo importante foi a atuação em processos de fusões e aquisições. Na indústria farmacêutica, Sonia participou de integrações complexas que envolviam não apenas tecnologia, mas também áreas como regulatória, supply, indústria e farmácia. Mais tarde, liderou iniciativas de centralização e implantação de templates SAP para a América Latina, ampliando sua experiência em projetos multiculturais e de alta complexidade.
Tecnologia, liderança e representatividade
Construir essa trajetória também significou atuar em ambientes nos quais a presença feminina era bastante reduzida. Sonia lembra que, durante boa parte da carreira, foi uma das poucas mulheres — ou a única — em salas de aula, reuniões e fóruns técnicos. Em um grupo global de arquitetura, chegou a trabalhar ao lado de 16 profissionais homens de diferentes nacionalidades.
Mesmo nesse contexto, ela afirma que nunca tratou o gênero como fator determinante para seu desenvolvimento profissional. “Sempre busquei me posicionar pela competência e pela entrega dos projetos, sem transformar o gênero em barreira ou vantagem”, indica.
A mesma lógica aparece em sua visão sobre o CIO. Na avaliação de Sonia, a liderança de tecnologia precisa compreender profundamente os negócios, dialogar com diferentes áreas da empresa e conhecer a realidade das pessoas impactadas pelas decisões tecnológicas. Isso significa participar das discussões estratégicas, visitar operações, compreender o chão de fábrica e conectar tecnologia à geração de valor.
Atualmente, mesmo fora da rotina corporativa, Sonia segue ativa no ecossistema de tecnologia. Realiza mentorias para executivos em transição de carreira e participa de iniciativas voltadas ao desenvolvimento de profissionais. Entre os projetos que mais a motivam está o Pulse Mais, programa dedicado à formação de jovens de baixa renda interessados em ingressar no setor de tecnologia.
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Fonte: https://itforum.com.br/noticias/lideranca-nao-protagonismo-sonia-castral/

