A movimentação de veranistas na Ilha de Cotijuba ganha novos contornos neste mês de julho, com a busca por praias mais tranquilas e integradas à natureza. Na Praia Funda, considerada uma das mais preservadas da ilha, o fluxo de visitantes cresce impulsionado por esse perfil de turismo, que prioriza sossego, paisagem e experiências de maior qualidade.
Entre os visitantes, a turista espanhola Mariana Crespo, 30, resume a diferença em relação às outras praias brasileiras. “Aqui é mais natural, não tem tanta intervenção. É um jeito diferente de aproveitar a praia”, afirmou. Segundo ela, o ambiente favorece a convivência. “Na Espanha, a praia é mais para ouvir as ondas. Aqui você conversa, toma uma cerveja, escuta música. São experiências diferentes”, disse.
Mariana também destacou a relação com a capital paraense. “Estou apaixonada por Belém”. Ana Carolina Barros, 28, namorada de Marina, explica que a escolha pela Praia Funda está ligada justamente a esse perfil mais reservado. “É um lugar onde estamos imersos na natureza. Tem muita vegetação, dá para aproveitar a praia e também caminhar. A paisagem é única”, afirmou.
O movimento também reflete a chegada de novos empreendimentos na região. Um deles é o bar Quem Mandou, aberto há sete meses pelo casal Renata e Alex Ferreira, que decidiu trocar São Paulo pela ilha. “A gente se apaixonou por Cotijuba. É difícil encontrar uma ilha tão bonita e tão próxima de uma capital”, disse Alex. Segundo ele, a proposta do espaço é acompanhar o perfil da praia. “A ideia é oferecer uma experiência mais contemplativa, com música mais baixa e integração com a natureza”, explicou.
Frequentadora assídua da ilha, a analista de TI Mônica Moraes, 46, afirma que o local se tornou ponto fixo nos fins de semana. “Aqui tem movimento, mas não é sufocante. É uma galera tranquila, uma vibe boa. Parece uma grande família”, relatou. Moradora de Belém, ela conta que, após conhecer a Praia Funda, passou a frequentar menos outras áreas mais cheias da ilha. “O que me atrai é esse clima mais acolhedor, sem música alta, com mais contato com a natureza”, disse.
Para desfrutar do refúgio natural da Ilha de Cotijuba, o viajante deve pode pegar um barco no Terminal Hidroviário de Icoaraci. A passagem nas embarcações da cooperativa autorizada custa R$ 14.
Ilha oferece experiência bem além das praias
A Ilha de Cotijuba, distante cerca de 45 minutos de barco da orla de Icoaraci, em Belém, reúne natureza preservada, patrimônio histórico e tradições que ajudam a explicar por que o destino atrai visitantes diariamente. Reconhecida como Patrimônio Cultural de Natureza Material e Imaterial do Estado do Pará, a ilha oferece experiências que vão muito além das praias.
Logo na chegada, quem desembarca no trapiche encontra uma paisagem marcada por árvores exuberantes, pelas ruínas de um importante monumento histórico e pelas tradicionais motorretes. Os veículos curiosos são o principal meio de transporte utilizado para percorrer a ilha e chegar às mais de dez praias disponíveis aos visitantes.

Cotijuba une patrimônio histórico, natureza e cultura
Um dos primeiros contatos de quem chega à ilha acontece diante das ruínas do antigo Educandário Nogueira de Farias. O edifício posteriormente funcionou como presídio até ser definitivamente desativado, décadas atrás. Em frente ao local, concentram-se os condutores das motorretes, responsáveis por transportar moradores e turistas rumo ao interior da ilha.
Além das praias mais conhecidas, como Vai-quem-quer e Farol, muitos visitantes têm buscado conhecer outros cenários já tradicionais entre os moradores. Entre eles está a Praia Funda, que vem despertando cada vez mais interesse de quem procura tranquilidade e contato direto com a natureza.
Praia Funda ganha espaço entre os visitantes
O trajeto até a Praia Funda passa por áreas cercadas por vegetação nativa e grandes árvores. As motorretes fazem o percurso continuamente, ligando o trapiche ao destino, onde os visitantes encontram águas tranquilas e um ambiente marcado pela preservação da natureza.
Além da paisagem, a recepção dos próprios moradores se tornou outro diferencial da praia. Muitos disponibilizam chalés e oferecem serviços de hospedagem para quem deseja prolongar a estadia na ilha.


Hospedagens acompanham o crescimento do turismo
O aumento da procura por hospedagens em Cotijuba, especialmente na Praia Funda, motivou o servidor público Rafael Santos e sua família a investirem no turismo local. Em meados de 2021, eles construíram um chalé em um terreno da família para uso próprio.
Segundo Rafael, o interesse dos visitantes em se hospedar no local levou à ampliação do projeto. Ele, a irmã e o cunhado decidiram construir novos chalés, um bar/restaurante e abrir a Pousada Aldeia Cotijuba.
“A Pousada aconteceu sendo uma necessidade que a gente tinha visto mesmo, de conseguir amparar e apresentar Cotijuba para um público diferente. Então, a gente está tentando, aos poucos, mostrar o que é a Ilha de Cotijuba para as pessoas, que tem esse potencial enorme e que traz essa paz que dá para vocês perceberem”, afirma o sócio-proprietário da Aldeia Cotijuba, Rafael Santos.
Para ele, o principal diferencial do destino continua sendo a proximidade entre a capital paraense e uma paisagem completamente diferente.
“O maior atrativo da Ilha de Cotijuba é esse contato com a natureza. Cotijuba faz parte de Belém e é um lugar muito próximo que tem uma geografia totalmente diferente e que atrai muito o turismo.”
A possibilidade de vivenciar uma natureza exuberante a poucos minutos de Belém segue como um dos principais motivos que levam visitantes a escolherem Cotijuba como destino.
Fonte: https://diariodopara.com.br/cotidiano/quem-conhece-esta-praia-escondida-em-cotijuba-nao-quer-mais-voltar-as-praias-lotadas/

