São Paulo avalia reúso de esgoto tratado em represas

O governador de SP Tarcísio de Freitas. Foto: Divulgação

A capital paulista e os 38 municípios do entorno, onde vivem 21 milhões de pessoas, têm apenas 127 metros cúbicos de água por habitante ao ano, menos de 10% do mínimo de 1.700 metros cúbicos usado pela ONU para caracterizar estresse hídrico. Diante desse déficit, São Paulo discute o reúso de esgoto tratado para ajudar a abastecer represas. Com informações da Folha de S.Paulo.

O diagnóstico que embasa a minuta do Plano Municipal de Saneamento Ambiental Integrado da Prefeitura de São Paulo atribui a escassez à própria geografia da região. A metrópole se desenvolveu sobre a Bacia Hidrográfica do Alto Tietê, uma área de cabeceira de rios que se estende por cerca de 130 quilômetros, de Salesópolis a Pirapora do Bom Jesus.

Como a vazão próxima às nascentes é naturalmente baixa, a região metropolitana importa mais de 50% da água que consome de outras bacias. O abastecimento depende de sistemas ligados à PCJ, que reúne os rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, à Baixada Santista, ao Paraíba do Sul e ao São Lourenço.

Essa dependência exige tubulações, túneis e canais por dezenas de quilômetros e cria disputas políticas com cidades que cedem parte de seus recursos hídricos. O plano municipal, elaborado por técnicos da prefeitura e do ONU-Habitat, reúne propostas para os próximos 20 anos em abastecimento, esgoto, drenagem e resíduos sólidos.

Uma das medidas em estudo é o reúso potável indireto, no qual efluentes tratados passam por filtragem e desinfecção antes de reforçar mananciais. A prática já ocorre em locais como Califórnia, Austrália e Israel, mas enfrenta resistência cultural por envolver água originada do esgoto.

Área seca em represa do Sistema Cantareira em Joanópolis
Área seca de represa do Sistema Cantareira, em Joanópolis, no interior de São Paulo. Foto: Reprodução

No plano paulistano, grandes estações de tratamento, como as de Suzano e Barueri, poderiam abastecer córregos que deságuam em sistemas de reservatórios como Alto Tietê e Cotia. A proposta criaria circuitos em que parte da água usada nas casas retornaria às represas depois do tratamento.

A prefeitura estabeleceu a meta de chegar a 9,2% de reúso em relação ao volume total consumido até 2045, incluindo aplicações na indústria, na construção civil e na limpeza urbana.

Amanda de Almeida Ribeiro, coordenadora de Segurança Hídrica da Prefeitura de São Paulo, disse que o município avalia incentivos financeiros “para reaproveitamento da água e também para a contenção da água no lote, para diminuir a pressão do sistema de drenagem”.

O diagnóstico também projeta aumento da demanda em cenários de calor mais intenso: para cada 1°C a mais na temperatura média, o consumo de água poderia crescer 24,9%.

A Sabesp contesta esse percentual; o diretor-corporativo Marco Antonio Lopez Barros afirma que dados da companhia desde a década de 1970 indicam alta de até 5% em dias quentes, embora defenda discutir o reúso e a regulamentação. A Cetesb adotou em 2022 uma norma técnica para critérios de monitoramento e qualidade do reúso indireto potável, mas cada projeto ainda precisa de licenciamento específico.

!function(f,b,e,v,n,t,s)
{if(f.fbq)return;n=f.fbq=function(){n.callMethod?
n.callMethod.apply(n,arguments):n.queue.push(arguments)};
if(!f._fbq)f._fbq=n;n.push=n;n.loaded=!0;n.version=’2.0′;
n.queue=[];t=b.createElement(e);t.async=!0;
t.src=v;s=b.getElementsByTagName(e)[0];
s.parentNode.insertBefore(t,s)}(window, document,’script’,
‘https://connect.facebook.net/en_US/fbevents.js’);
fbq(‘init’, ‘301448060382165’);
fbq(‘track’, ‘PageView’);

Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/sob-tarcisio-grande-sp-vive-escassez-extrema-de-agua-e-recorre-ao-esgoto-tratado/