O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), usou o inquérito das Fake News para acusar o colega André Mendonça de possíveis crimes e pediu ao presidente da Corte, Edson Fachin, a abertura de uma ação contra ele.
Em decisão assinada nesta quinta-feira (3), Moraes aponta suspeitas de usurpação da direção de investigações, condução irregular de tratativas de delação premiada e direcionamento de investigação contra um ministro do Supremo.
As suspeitas mencionadas por Moraes envolvem relatórios relacionados às operações Sem Desconto, que apura o escândalo envolvendo o INSS, e Compliance Zero, investigação sobre o Banco Master.
O episódio coloca Mendonça em uma situação especialmente delicada. O ministro indicado por Jair Bolsonaro vinha assumindo uma postura cada vez mais política no caso do Banco Master e passou a atuar diretamente em uma disputa que envolve integrantes do próprio STF, a Polícia Federal e personagens ligados ao bolsonarismo.
A decisão de Moraes expõe o tamanho do conflito instalado dentro da Corte e levanta uma questão inevitável: até que ponto Mendonça está exercendo suas atribuições jurisdicionais e a partir de que momento sua atuação passou a interferir indevidamente em investigações conduzidas por outras autoridades?

O pedido de abertura de uma ação contra um colega de tribunal é uma medida de enorme gravidade. Ao mesmo tempo, a reação de Moraes mostra que a estratégia de Mendonça deixou de ser apenas uma divergência entre ministros e passou a produzir consequências institucionais.
Mendonça, que chegou ao STF indicado por Bolsonaro com a promessa de atuar de forma independente, encontra-se agora no centro de uma crise que ele próprio ajudou a alimentar. Se há suspeitas sobre irregularidades em investigações, elas precisam ser demonstradas com provas e submetidas aos procedimentos adequados — não transformadas em instrumento de disputa política dentro do Supremo.
O caso também reforça a necessidade de transparência. Se existem acusações graves envolvendo a condução de investigações, delações e o Banco Master, o STF precisa esclarecer os fatos de maneira institucional, evitando que o sigilo e a guerra de versões sejam usados para alimentar suspeitas seletivas.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/moraes-acusa-andre-mendonca-parcialidade-pede-providencias-fachin/

