“Dark Horse”, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), não chegará aos cinemas antes das eleições, informou o diretor-geral da Europa Filmes, Wilson Feitosa. A decisão ocorre enquanto a Polícia Federal apura repasses atribuídos ao banqueiro Daniel Vorcaro para o financiamento da produção.
Feitosa afirmou que a distribuidora pretende lançar o longa primeiro nas salas de cinema, mas não definiu uma data. “Somente depois das eleições, mas ainda não tenho a data cravada”, disse ao Correio Braziliense. Para ele, uma estreia durante a campanha poderia provocar judicialização por suspeitas de propaganda política.
O caso voltou ao centro da disputa após Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro e apontado como operador financeiro de Vorcaro, firmar acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou o acordo no inquérito do Caso Master.
Reportagens sobre a delação indicam que Mineiro relatou sete pagamentos, a pedido de Vorcaro, ao fundo estadunidense Havengate Development Fund LP. Os repasses teriam somado US$ 12,3 milhões, cerca de R$ 69 milhões na cotação da época, e a PF investiga se os recursos financiaram o filme ou a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

Repasses e registros do filme entram no foco da apuração
O site The Intercept Brasil havia informado que Flávio Bolsonaro teria pedido US$ 24 milhões a Vorcaro para viabilizar “Dark Horse”. A revista Piauí noticiou transferências em setembro e outubro de 2025, depois de Flávio ter dito à GloboNews que o último pagamento ocorrera em maio daquele ano.
A produtora GoUp Entertainment confirmou à Folha de S.Paulo o recebimento de uma parcela em setembro de 2025, mas negou outro repasse no mês seguinte.
Eduardo Bolsonaro reconheceu, em vídeo nas redes sociais, que assinou contrato como produtor e investiu R$ 350 mil na obra, valor que afirmou ter recebido de volta após a entrada de outros patrocinadores. “Quem fala que Eduardo Bolsonaro recebeu dinheiro de Vorcaro é mentiroso”, declarou. Flávio também negou irregularidades e classificou o episódio como uma “página virada”.
A Agência Nacional do Cinema emitiu o Registro de Obra Estrangeira em 7 de agosto, mas a Europa Filmes ainda não havia iniciado o pedido do Certificado de Registro de Título, etapa exigida para a exibição comercial no Brasil.
A Ancine também abriu processo administrativo para apurar a gravação de cenas no país sem comunicação prévia à agência e afirmou que divulgará o resultado após garantir defesa e contraditório.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/dark-horse-filme-bolsonaro-depois-eleicoes-financiamento/

