Lula prepara MP que cria Ministério da Segurança Pública

O presidente Lula (PT) deve apresentar, nesta sexta-feira (6), a Medida Provisória que criará o Ministério da Segurança Pública. O anúncio foi feito durante a live com o deputado André Janones (Rede-MG), nesta quinta-feira (5), para celebrar a vitória do presidente no segundo turno das eleições. 

Na live, Lula afirmou que irá realizar a primeira reunião sobre a MP nesta sexta. 

“Alcolumbre cumpriu com a palavra dele e botou para votar a PEC da Segurança Pública. E foi aprovada por 73 votos. Agora, amanhã já vamos fazer a primeira discussão porque eu vou mandar a Medida Provisória criando o Ministério da Segurança Pública, discutindo dinheiro para a gente investir”, afirmou o presidente.

A criação do Ministério da Segurança Pública é uma das principais promessas do presidente Lula, mas estará vinculada à aprovação da PEC da Segurança Pública, travada no Congresso Nacional por meses. Na terça-feira (3), no entanto, a proposta foi aprovada no Senado Federal. 

O objetivo da nova pasta é integrar as forças federal, estadual e municipal no combate ao crime organizado. A PEC da Segurança Pública insere o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) na Constituição Federal e fortalece o papel do governo federal no combate ao crime. 

Um dos principais pontos da PEC da Segurança Pública é a intensificação do regime penal para líderes e integrantes de organizações criminosas e milícias, como a obrigatoriedade de cumprimento de pena em presídios de segurança máxima, restrições à progressão de regime e o confisco de bens vinculados ao crime sem direito a indenização.

PEC da Segurança Pública: principais pontos e o que muda

O Senado aprovou nesta terça-feira (3) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, uma das principais iniciativas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para reorganizar o combate à criminalidade no Brasil.

A proposta, apresentada originalmente pelo governo federal em abril de 2025, busca ampliar a integração entre as forças de segurança, fortalecer a atuação da União no enfrentamento ao crime organizado e estabelecer novas regras para o funcionamento das polícias.

O texto passou por alterações na Câmara dos Deputados e no Senado, incorporando medidas de combate às facções criminosas, proteção às vítimas e ampliação dos recursos destinados à segurança pública.

Confira os principais pontos da PEC da Segurança Pública

  • Combate às facções criminosas: estabelece diretrizes para um regime penal mais rigoroso contra integrantes e lideranças de organizações criminosas, milícias privadas e grupos paramilitares, incluindo restrições a benefícios e à progressão de regime, conforme regulamentação.
  • Maior atuação da Polícia Federal: amplia expressamente sua competência para investigar crimes praticados por organizações criminosas e milícias com repercussão interestadual ou internacional, além de infrações relacionadas a interesses da União.
  • Integração das forças de segurança: incorpora o Sistema Único de Segurança Pública (Susp) à Constituição, fortalecendo a cooperação entre União, estados, Distrito Federal e municípios, com compartilhamento de informações e operações conjuntas.
  • Ampliação das atribuições da Polícia Rodoviária Federal: permite sua atuação no patrulhamento de rodovias, ferrovias e hidrovias federais, além da participação em operações emergenciais e de apoio a outras forças de segurança.
  • Polícias municipais: prevê a possibilidade de criação de polícias municipais, a partir das guardas, observadas as condições constitucionais e legais e respeitadas as competências dos demais órgãos policiais.
  • Mais recursos para a segurança: fortalece o Fundo Nacional de Segurança Pública e o Fundo Penitenciário Nacional, com proteção constitucional de recursos e mecanismos de repasse aos entes federativos.
  • Recursos do pré-sal: prevê destinação gradual de parte do superávit financeiro do Fundo Social do Pré-Sal para financiar políticas de segurança pública, com percentual de referência de 10%.
  • Sistema penitenciário: institui o Sistema de Políticas Penais, com medidas voltadas à integração da gestão penitenciária, à atuação das polícias penais e ao controle dos estabelecimentos prisionais.
  • Proteção às vítimas: reforça direitos relacionados à informação, assistência, proteção e acesso à Justiça, com atenção especial às mulheres vítimas de violência.
  • Fiscalização das polícias: prevê corregedorias e ouvidorias com autonomia no exercício de suas atribuições, destinadas à apuração de irregularidades e ao recebimento de denúncias, reclamações e sugestões da população.

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/lula-criacao-ministerio-seguranca-publica/