O que mais agoniou e humilhou Flávio Bolsonaro minutos após vídeo de Michelle ser postado

A imagem planejada era a clássica cartilha da extrema direita: casa cheia, familiares, convidados selecionados e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) devidamente trajado com a camisa da Seleção Brasileira. O cenário perfeito para gravar vídeos e produzir postagens em tom ufanista para turbinar sua pré-campanha à Presidência da República aproveitando o clima da Copa do Mundo.

No entanto, o clima de festa desmoronou completamente poucos minutos antes das 17h, quando a informação sobre a publicação de um vídeo de sua madrasta, Michelle Bolsonaro, chegou ao celular do parlamentar.

A partir dali, o jogo entre Brasil e Escócia tornou-se um mero detalhe invisível. A Fórum apurou que, tomado pela fúria, Flávio levantou-se de onde estava xingando e visivelmente transtornado, dando início a uma crise que escancara as profundas rachaduras no clã Bolsonaro.

Isolamento e a rede de contatos

Faltando pouco menos de duas horas para o apito inicial da partida, o televisor de Flávio já não retinha a atenção de ninguém. O senador mergulhou em uma enxurrada de ligações e mensagens. Ele trocou algumas ideias com o irmão Eduardo Bolsonaro, que vive nos EUA, e acionou deputados e senadores do seu círculo político mais íntimo para medir o tamanho do estrago.

Um detalhe sintomático do isolamento e do receio familiar chamou a atenção: a reportagem da Fórum apurou que Flávio evitou ligar diretamente para o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado e em prisão domiciliar. O senador temia que Michelle estivesse ao lado do marido no momento, o que inviabilizaria uma conversa sem filtros.

Clamor por punição e a realidade do poder

Nos bastidores e nos inflamados grupos de WhatsApp da ala bolsonarista, o clima era de indignação generalizada. Parlamentares e correligionários do Partido Liberal (PL) bradavam abertamente que Michelle “havia passado dos limites” e exigiam que ela fosse enquadrada, sugerindo inclusive o uso do estatuto interno da sigla para puni-la exemplarmente por uma atitude que pode ter esfacelado de vez as pretensões presidenciais de Flávio.

Então veio o nó tático de Michelle: Foi justamente aí que a agonia se transformou em humilhação profunda para o rebento 01 do “capitão”. Flávio percebeu, na prática, que Michelle Bolsonaro detém hoje uma musculatura política que ele próprio não possui.

A ex-primeira-dama desfruta de uma relação de total confiança com o cacique-administrador do PL, Valdemar Costa Neto, comandando estruturas da legenda, como o PL Mulher. Mais do que isso: ela exerce um domínio político e pessoal completo sobre o próprio Jair Bolsonaro.

A maior derrota de Flávio reside no fato de que, mesmo sendo o escolhido pelo pai para a disputa ao Planalto, o ex-presidente se mostrou incapaz de conter os movimentos da esposa, que segue bombardeando e detonando a candidatura do primogênito dele.

Para além do prejuízo eleitoral prático, o que mais corroeu o senador foi a percepção da própria imagem diante de seus pares. A sensação estampada no rosto de Flávio, diante de seus convidados, era a de estar sendo enxergado como um verdadeiro “banana”.

Para um grupo político que se ancora numa estética ultraconservadora, hipermasculinizada e de retórica de “homem forte”, ver um candidato à Presidência da República, filho do líder máximo da direita brasileira, ser neutralizado e colocado em uma posição de aparente subserviência em relação à madrasta carrega um simbolismo devastador. Flávio Bolsonaro saiu do episódio ciente de que, para o seu próprio eleitorado, a pecha de “frouxo”, “banana” e “fracote” pode ser um caminho sem volta.

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/agoniou-humilhou-flavio-bolsonaro-video-michelle/