Alcolumbre embarca União e PP na pré-candidatura de Flávio Bolsonaro após acordão contra Lula

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), deve deixar de barrar o apoio de União Brasil e PP à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República em 2026. A movimentação ocorre após a crise entre Alcolumbre e o governo Lula e reforça o avanço do bolsonarismo sobre a federação União Progressista, uma das maiores forças do Congresso.

A informação foi publicada pela coluna Painel, da Folha de S.Paulo. Segundo a apuração, dirigentes da federação avaliam que Alcolumbre não deve mais atuar para impedir uma composição com Flávio Bolsonaro, embora União Brasil e PP ainda afirmem publicamente que aguardam sinais de moderação do senador bolsonarista.

Alcolumbre muda cálculo de União e PP

O reposicionamento de Davi Alcolumbre pesa porque ele era visto, dentro do União Brasil, como um dos principais pontos de contenção a uma adesão formal da federação ao projeto presidencial de Flávio Bolsonaro.

O cenário mudou depois de uma sequência de atritos entre o presidente do Senado e o Palácio do Planalto. A relação se deteriorou em meio à disputa em torno da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal e à articulação de pautas que impuseram novas derrotas políticas ao governo Lula no Congresso.

Na quinta-feira (30), Alcolumbre anunciou a retirada de trechos do Veto 3/2026, ligado ao projeto da dosimetria das penas dos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro.

União Progressista vira ativo eleitoral decisivo

A federação União Progressista foi aprovada pelo Tribunal Superior Eleitoral em 26 de março e reúne União Brasil e Progressistas. A decisão do TSE consolidou o bloco como uma das maiores estruturas partidárias do país para a disputa de 2026.

Um acordo com União e PP daria a Flávio Bolsonaro tempo de televisão, palanques estaduais, fundo eleitoral e capilaridade parlamentar. Também ajudaria o PL a isolar candidaturas alternativas da direita e do centro-direita, em um momento em que o clã Bolsonaro tenta manter o comando do campo conservador.

Para a federação, a aproximação com Flávio Bolsonaro envolve cálculo de poder nos estados, disputa por governos locais e preservação de influência no Congresso. O movimento, porém, também carrega risco: uma adesão precoce ao bolsonarismo pode afastar setores do centro que ainda mantêm canais com o governo Lula.

Acordão no Senado abre caminho para Flávio Bolsonaro

A mudança ocorre no mesmo ambiente político em que Alcolumbre ampliou a distância em relação ao Planalto e se aproximou de pautas caras à oposição. A crise envolveu a indicação ao STF, a dosimetria das penas do 8 de janeiro e o fortalecimento de uma maioria conservadora no Congresso.

A Revista Fórum mostrou como Flávio Bolsonaro se beneficiou do acordão costurado por Alcolumbre, que enterrou a CPI do Banco Master e avançou sobre pautas de interesse do bolsonarismo.

O efeito eleitoral desse arranjo agora ganha corpo. Ao sair da posição de freio interno, Alcolumbre abre espaço para que União Brasil e PP negociem com Flávio Bolsonaro em outro patamar. A pré-candidatura do senador do PL deixa de depender apenas do aval do clã Bolsonaro e passa a mirar uma engrenagem partidária capaz de ampliar sua presença nacional em 2026.

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/alcolumbre-uniao-pp-flavio/