“Estou apavorada”. Foi assim que a produtora Karina Gama descreveu à coluna da Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo, o estado em que se encontrava. Sua entrevista foi na véspera de ser alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) que investiga suspeitas de desvio de recursos de emendas parlamentares para a produção do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Dona da produtora Go Up, Karina afirmou que vinha se sentindo ameaçada e chantageada antes de os agentes federais cumprirem mandados de busca e apreensão em seus endereços nesta quinta-feira (10). Em um telefonema realizado um dia antes da operação, ela relatou ter recebido em casa pessoas que se apresentaram como oficiais de Justiça, mas, segundo ela, não apresentaram documentos que comprovassem a identidade ou a finalidade da visita.
De acordo com a produtora, o grupo tocou a campainha de sua residência por volta das 21h e fez perguntas. Familiares e fornecedores de empresas ligadas a ela também teriam sido abordados.
Karina disse que não entende por que estaria sendo pressionada e afirmou colaborar com os investigadores. “Quando a PF me pediu documentos, eu forneci imediatamente”, declarou.
Produtora diz que não tem o que delatar
Karina também relatou ter sido procurada por um pastor evangélico de Brasília que, segundo ela, teria ligação com setores da esquerda. De acordo com a produtora, o religioso ofereceu ajuda e sugeriu que ela buscasse um acordo de delação premiada para evitar eventuais punições mais severas.
Ela negou, porém, ter conhecimento sobre quem financiou o filme ou ter participado da captação de recursos para a produção.
“Eu nunca captei dinheiro para o filme, eu nunca lidei com financiadores. Eu não sei nada sobre isso. Eu prestei um serviço, de produzir o ‘Dark Horse’ e fui remunerada”, afirmou.
A produtora também disse que, caso fosse presa, não teria informações para apresentar em uma eventual colaboração com as autoridades.
A PF investiga duas frentes relacionadas ao financiamento da obra. Uma delas trata da suspeita de desvio de recursos de emendas parlamentares. A outra apura o financiamento feito pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, para o filme.
Flávio Bolsonaro pediu dinheiro a Vorcaro
Segundo informações já reveladas sobre a investigação, recursos de Vorcaro foram destinados ao fundo Havengate, administrado pelo advogado Paulo Calixto, ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro. O dinheiro posteriormente foi utilizado na produção do longa.
Karina afirmou ter recebido recursos do fundo para realizar o filme, mas disse desconhecer a identidade dos financiadores.
“Eu recebi recursos do fundo para produzir o filme, mas nunca soube quem eram seus financiadores”, afirmou.
A investigação também encontrou mensagens que indicam que o senador Flávio Bolsonaro teria solicitado recursos a Vorcaro para a produção do filme. Em novembro do ano passado, dois meses antes de uma mensagem enviada às vésperas da prisão do ex-banqueiro, Flávio teria procurado o empresário para pedir dinheiro para o longa sobre o pai.
Na mensagem enviada pouco antes da prisão de Vorcaro, o senador escreveu: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”.
Emenda de Mario Frias
Outro ponto investigado envolve uma emenda parlamentar de R$ 1 milhão destinada pelo deputado federal Mario Frias (PL-SP) a um projeto desenvolvido pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB). A entidade é presidida por Karina Gama.
Segundo a produtora, o projeto de letramento financeiro voltado a jovens empreendedores recebeu os recursos no fim de 2025. Como o repasse ocorreu no encerramento do ano letivo, a iniciativa teria avançado somente em 2026.
Karina afirmou que o dinheiro que ainda não foi utilizado permanece “em caixa”.
A PF investiga a aplicação dos recursos e a relação entre as emendas parlamentares e atividades ligadas à produção do filme “Dark Horse”.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/apavorada-produtora-dark-horse-filme-bolsonaro-ameacada/

