“Apoio 100%”, disse Flávio Bolsonaro sobre Márcio Canella, preso pela PF por lavagem de dinheiro

“Meu apoio integral, 100%”. Foi assim que Flávio Bolsonaro (PL) apresentou, em abril deste ano, Márcio Canella (União Brasil) como seu escolhido para disputar uma vaga no Senado pelo Rio de Janeiro.

Pouco mais de seis meses depois, Canella voltou a ser preso pela Polícia Federal (PF). O deputado estadual eleito e ex-prefeito de Belford Roxo foi detido nesta quinta-feira (15) durante a oitava fase da Operação Unha e Carne, que investiga uma organização criminosa suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis para lavar dinheiro.

Segundo relatório do Coaf enviado à PF, o esquema investigado movimentou R$ 7,6 bilhões em seis anos. A operação, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), cumpriu seis mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão.

A defesa de Canella informou que aguardava acesso aos autos para se manifestar.

“Apoio integral, 100%”

A proximidade entre Canella e Flávio Bolsonaro estava longe de ser apenas circunstancial. Em vídeo publicado em 3 de abril, o atual candidato do PL à presidência fez uma defesa enfática do então pré-candidato ao Senado.

“Estou aqui para reafirmar o meu apoio integral, 100%, ao meu amigo Márcio Canella como pré-candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro”, declarou Flávio. Na mesma gravação, classificou o aliado como “competente” e afirmou que Canella estaria junto ao grupo na missão de “resgatar o nosso Brasil”.

Canella havia renunciado à prefeitura de Belford Roxo justamente para concorrer ao Senado. O grau de integração com a família Bolsonaro ficou ainda mais evidente na montagem da chapa: Rogéria Bolsonaro, mãe de Flávio, seria sua primeira suplente.

Ainda em maio, Flávio se referia publicamente a Canella como “nosso pré-candidato ao Senado no Rio de Janeiro”.

A candidatura, porém, começou a ruir em julho.

Primeira prisão desmontou candidatura ao Senado

Em 7 de julho, Canella foi alvo da sexta fase da mesma Operação Unha e Carne. Durante o cumprimento de busca e apreensão, a PF encontrou um fuzil calibre 5,56 em seu veículo e o prendeu em flagrante.

Posteriormente, Moraes revogou as restrições relacionadas ao episódio após a Polícia Militar informar que a arma pertencia a um integrante da escolta do então pré-candidato.

Politicamente, entretanto, o estrago já estava feito. Nos bastidores, integrantes do PL passaram a avaliar que Canella não tinha mais condições de disputar o Senado e defendiam sua substituição para evitar que as investigações contaminassem a chapa de Flávio Bolsonaro.

Em 3 de agosto, menos de um mês depois da primeira prisão, Canella anunciou a desistência da corrida ao Senado e decidiu disputar novamente uma cadeira na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Com a retirada, caiu também a chapa que teria Rogéria Bolsonaro como primeira suplente.

A mudança deu resultado eleitoral para Canella: ele acabou eleito deputado estadual com 197.178 votos, tornando-se o segundo candidato mais votado para a Alerj.

Nesta quinta-feira, porém, antes mesmo de iniciar o novo mandato, voltou a ser preso pela PF na investigação que já havia implodido sua candidatura ao Senado e criado um problema político para o aliado que, meses antes, dizia apoiá-lo “100%”.

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/apoio-flavio-bolsonaro-marcio-canella-preso-pf/