Os dados da nova pesquisa AtlasIntel, divulgados nesta quarta-feira (25), revelam um cenário que desafia qualquer análise baseada puramente na entrega de políticas públicas. Se no recorte por renda a contradição já era latente, no recorte por idade ela se torna um abismo: os jovens brasileiros de 16 a 24 anos são, hoje, o grupo que mais rejeita o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo o levantamento, impressionantes 72,7% dos jovens nesta faixa etária desaprovam a gestão atual, enquanto apenas 26,7% manifestam aprovação. O número é o mais alto entre todas as faixas geracionais, superando inclusive os grupos historicamente mais conservadores.
O paradoxo do benefício: Onde a política pública não chega à mente
O dado causa perplexidade ao ser contrastado com a agenda do Palácio do Planalto. Desde que assumiu, Lula colocou a juventude no centro do orçamento, retomando e criando programas que haviam sido desidratados na gestão anterior.
Entre as principais frentes de auxílio direto e capacitação ignoradas pelo sentimento de rejeição, destacam-se:
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Pé-de-Meia: A maior política de transferência de renda estudantil da história, que paga até R$ 9,2 mil para estudantes do ensino médio público não abandonarem as salas de aula.
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Expansão do Ensino Técnico: O programa Partiu IF e a criação de 100 novos campi de Institutos Federais (IFs), focados na interiorização do ensino gratuito.
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Pé-de-Meia Licenciatura: Incentivo financeiro para que os melhores alunos escolham a carreira docente.
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CPOP e Projovem: O suporte a cursinhos populares e o resgate da qualificação profissional e cidadã.
A máquina digital e a armadilha do “empreendedorismo” precarizado
A explicação para tamanha rejeição em meio a tantos benefícios parece residir no campo da batalha da informação. Analistas apontam que a faixa de 16 a 24 anos é a mais exposta à máquina digital de mentiras do bolsonarismo, que opera de forma ininterrupta nas redes sociais, moldando a percepção política através de algoritmos.
Além disso, há o avanço do discurso do “empreendedorismo de palco”. A promessa de autonomia e riqueza rápida através de plataformas digitais e do trabalho autônomo, que muitas vezes esconde a precarização absoluta da mão de obra jovem, tem sido habilmente explorada pela oposição. Esse “papo-furado” cria uma barreira ideológica que impede o jovem de reconhecer o valor da rede de proteção social e dos investimentos em educação formal oferecidos pelo Estado.
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Desempenho por faixa etária
A rejeição cai conforme a idade avança, atingindo seu ponto mais baixo entre os adultos de meia-idade, antes de voltar a subir levemente entre os idosos.
Enquanto o governo entrega bolsas, vagas em universidades e dinheiro na conta para garantir o futuro, a comunicação governamental parece perder a corrida para o “martelar” constante do celular frequentado pelos bolsonaristas. O desafio de Lula, agora, é traduzir o benefício no bolso em reconhecimento político antes que a desinformação se consolide como a única verdade para uma geração inteira.
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Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/atlas-jovens-ate-24-anos-os-mais-beneficiados-pela-gestao-lula-sao-os-que-mais-a-rejeitam/

