Bolsonarismo “é um retrocesso civilizatório”, diz Boulos sobre ataques da extrema direita a mulheres

O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência Guilherme Boulos criticou nesta quarta-feira (9) a escalada de declarações machistas de lideranças ligadas ao bolsonarismo às mulheres.

Em publicação nas redes sociais, o parlamentar afirmou que os episódios são um “retrocesso civilizatório” e acusou integrantes do campo político do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de colocar em xeque direitos e a participação das mulheres na vida pública.

“Ontem os bolsonaristas disseram que mulher não sabe votar, hoje o presidente do PL afirmou que mulheres não podem ser presidentes. E amanhã? Vão querer cassar o voto delas? O que mais? O bolsonarismo não é apenas uma posição política, é um retrocesso civilizatório!”, escreveu.

https://x.com/GuilhermeBoulos/status/2074999686155387144

Em ano de eleições, o Brasil vem assistindo a uma série de declarações machistas e misóginas de lideranças do bolsonarismo sobre o papel das mulheres na política, importadas de políticos e influenciadores machistas americanos, como Nick Fuentes, que afirmou em abril deste ano, que retiraria a conquista do voto feminino nos Estados Unidos.

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Paulo Figueiredo e o ataque aos direitos  das mulheres

Mesmo após a repercussão negativa provocada por suas declarações sobre o voto feminino, o neto de ditador Paulo Figueiredo e foragido dos EUA voltou a dizer que as mulheres “votam pior” do que os homens. Em uma publicação nas redes, ele utilizou o resultado das eleições presidenciais do país americano para tentar sustentar seu “argumento”.

“Eu não vou falar nada. Só quero que vocês observem a diferença de 19 pontos entre o voto dos homens (+4 em republicanos) e o voto das mulheres americanas (+15 democratas) e tirem cada um as suas conclusões. Dá para fazer a mesma avaliação de outros grupos demográficos”, afirmou.

Figueiredo repetiu a fala poucos dias depois de afirmar, durante uma transmissão ao vivo, que “mulher vota estatisticamente muito mal”, sobretudo as solteiras. Na ocasião, ele alegou que mulheres casadas “costumam acompanhar” o voto dos maridos, enquanto as solteiras tenderiam a fazer escolhas “equivocadas” nas urnas. Apesar de mostrar que sua ideia era baseada em estatísticas, não apresentou estudos científicos ou pesquisas acadêmicas que comprovassem essa conclusão.

As declarações surgiram em meio a críticas dirigidas por Figueiredo à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. O influenciador questionou a atuação do PL Mulher e criticou um vídeo em que Michelle afirmou ter sido “humilhada” e “apunhalada” pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Para ele, a exposição pública do conflito prejudicaria a imagem do parlamentar junto ao eleitorado feminino.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), aliado de Figueiredo, afirmou discordar da generalização feita pelo influenciador, com medo de perder apoio para as eleições. A senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) e a ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), também condenaram as declarações, argumentando que esse tipo de discurso deslegitima o direito ao voto das mulheres e contraria princípios democráticos.

A jornalista Ana Paula Renault publicou um vídeo nas redes sociais e afirmou que ataques à capacidade política das mulheres representam um sinal de alerta em ano eleitoral e defendeu a autonomia feminina na escolha de seus representantes.

“Quando alguém diz que mulher vota mal, o problema não é o nosso voto, é o medo do nosso poder”, declarou.

 

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/bolsonarismo-retrocesso-civilizatorio-boulos-mulheres/