O procurador-geral da República, Paulo Gonet, manifestou-se favorável ao pedido de realização de uma nova cirurgia pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O parecer foi apresentado após solicitação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Na manifestação, Gonet afirmou que exames e relatório fisioterapêutico indicam a necessidade do procedimento cirúrgico, não vendo impedimento para que Bolsonaro se desloque de sua prisão domiciliar até a unidade hospitalar, desde que mantidas as medidas cautelares. A intervenção tem como objetivo a reparação do manguito rotador e de lesões associadas no ombro direito.
A defesa do ex-presidente solicitou autorização para que a cirurgia ocorra ainda nesta semana. Inicialmente prevista para sexta-feira, a realização do procedimento pode ser remarcada para sábado (25), dependendo de autorização do STF.
Uso contínuo de analgésicos
De acordo com laudos médicos apresentados ao tribunal, Bolsonaro enfrenta dores persistentes e limitação de movimentos, mesmo com o uso contínuo de analgésicos. Segundo os documentos, as dores se intensificam durante a noite e têm impacto direto na rotina do paciente.
Exames apontaram lesões de alto grau no manguito rotador, além de comprometimentos associados, o que levou à indicação de cirurgia por especialista. “Foi formalmente indicado procedimento cirúrgico para reparação do manguito rotador do ombro direito e das lesões associadas, por via artroscópica”, informou a defesa. A técnica é considerada minimamente invasiva, por utilizar câmeras no procedimento.
“Mera conveniência pessoal”
Os advogados ressaltaram que a intervenção não decorre de “mera conveniência pessoal”, mas de “necessidade terapêutica concreta, fundada em avaliação técnica especializada”. Segundo o pedido, a manutenção do quadro clínico atual “implica restrição ao direito fundamental à saúde e ao acesso ao tratamento prescrito”.
“Busca-se viabilizar tratamento médico necessário […], com o objetivo de preservar a integridade física, a funcionalidade do membro acometido, a qualidade de vida e a dignidade do requerente”, acrescentaram.
A necessidade de uma nova cirurgia já havia sido apontada no início de abril, quando a defesa apresentou relatórios médicos ao STF. De acordo com o fisioterapeuta Kleber Antônio Caiado de Freitas, que acompanha Bolsonaro, o ex-presidente apresentava dores no ombro antes mesmo da última alta médica, em 27 de março.
Segundo o profissional, Bolsonaro apresenta dor intensa, limitação de movimento — com elevação do braço restrita a 90 graus —, perda de força e assimetria postural, caracterizada pela inferiorização do ombro direito em relação ao esquerdo.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/bolsonaro-afirma-ter-dores-persistentes-e-gonet-autoriza-cirurgia/

