Jair Bolsonaro virou o estopim de uma nova guerra na extrema direita paulista ao rejeitar a chapa que Eduardo Bolsonaro tenta empurrar para o Senado em 2026. O plano coloca André do Prado, presidente da Alesp e aliado de Valdemar Costa Neto, como titular, com Eduardo na primeira suplência. Bolsonaro queria outro nome: o coronel Mello Araújo, vice-prefeito de São Paulo.
Segundo o SBT News, Bolsonaro disse nos últimos dias que não foi consultado pelo PL sobre a escolha de André do Prado e manifestou irritação com Valdemar Costa Neto e com o apoio dado por Eduardo. A coluna Radar, da Veja, publicou que o ex-presidente teve uma crise nervosa ao saber da operação do filho. Nas redes, Ricardo Salles, pré-candidato ao Senado pelo Novo, aproveitou o racha e passou a martelar a crise dentro do próprio bolsonarismo.
Bolsonaro queria Mello, mas Eduardo fechou com André
O nó político é simples e explosivo. Bolsonaro queria Mello Araújo, um nome mais identificado com a ala ideológica do PL. Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos, decidiu bancar André do Prado, nome da engrenagem partidária de Valdemar em São Paulo.
O acordo também entregou a Eduardo uma posição na chapa. Ele aceitou ser suplente de André. A operação foi confirmada em vídeo publicado pelo próprio Eduardo, no qual André aparece como pré-candidato ao Senado por São Paulo.
A escolha irritou setores da direita porque André do Prado é lido por essa ala como um quadro do Centrão dentro do PL. O próprio Eduardo tentou se explicar nas redes e admitiu que André não é um nome tradicional da militância mais ideológica, mas defendeu sua capacidade de articulação.
André do Prado não é apenas um deputado estadual lançado ao Senado. Ele preside a Assembleia Legislativa de São Paulo e ocupa uma cadeira estratégica no maior colégio eleitoral do país. O perfil oficial do parlamentar está no site da Alesp.
Por ali passou, em dezembro, o Orçamento paulista de 2026, com receita prevista de R$ 382,3 bilhões, aprovado pelo plenário da Assembleia, conforme registro oficial da Alesp. É essa máquina política, territorial e orçamentária que faz de André um nome valioso para Valdemar e indigesto para a ala que se vende como “bolsonarismo raiz”.
Salles viu sangue e entrou na briga
Ricardo Salles não entrou na crise como comentarista. Ele é parte interessada. O deputado do Novo também mira o Senado por São Paulo e foi diretamente atingido pela operação que fortalece André do Prado.
Como mostrou a Fórum, Salles já havia chamado o apoio de Eduardo a André de “vergonhoso” e atacado o presidente da Alesp como “filhote do Valdemar”. A fala incendiou a base que rejeita o acordo com o Centrão.
“Esse apoio ao nome do filhote do Valdemar é vergonhoso.”
Salles também acusou André de não representar a direita e disse que o deputado é “centrão na veia”. A fala mira Eduardo, que construiu carreira atacando o Centrão e agora aparece como suplente de um aliado de Valdemar.
A reação de Eduardo elevou o tom. Em entrevista ao canal bolsonarista AuriVerde Brasil, ele rebateu Salles e afirmou que o deputado “botou o rabinho entre as pernas” ao não assumir compromissos defendidos pela ala bolsonarista contra o STF.
Repost de Salles expõe briga sobre quem fala por Bolsonaro
O racha ficou ainda mais visível nesta sexta-feira, quando Salles repostou uma crítica a aliados de Eduardo que estariam tentando vender a chapa de André como se tivesse aval de Jair Bolsonaro.
“Isso é pra turma EAD canguru parar de mentir dizendo que fala em nome de Bolsonaro. Não fala.”
A postagem reagia a uma publicação da advogada Flávia Ferronato, que cobrou Carlos Bolsonaro a divulgar uma carta com indicações atribuídas ao pai. A cobrança mostra que a própria base bolsonarista já não sabe quem fala por Bolsonaro: o filho que negocia nos Estados Unidos, o vereador que guarda a palavra do pai ou os aliados que disputam a vaga em São Paulo.
“Espero, do fundo do coração, que o @CarlosBolsonaro publique a carta com indicações do pai o mais rápido possível.”
Mello Araújo também acusou o golpe. Em publicação nas redes, agradeceu a Bolsonaro pela indicação para disputar o Senado e disse que o PL acabou escolhendo outro candidato. Ele afirmou que “muitos não querem” um político com o perfil dele.
Crise de Bolsonaro desmonta a encenação de unidade
O episódio desmonta a encenação de unidade da direita paulista. Tarcísio de Freitas apoia André do Prado. Valdemar Costa Neto costurou o acordo. Eduardo Bolsonaro aceitou a suplência. Jair Bolsonaro rejeitou a operação. Salles tenta capturar a revolta da base. E Mello Araújo saiu atropelado.
O resultado é uma briga pública antes mesmo da campanha começar. A disputa pelo Senado em São Paulo deixou de ser uma negociação de bastidor e virou vitrine da perda de comando de Bolsonaro sobre o próprio campo político.
A chapa ainda nem chegou à urna, mas já nasceu com três fraturas: Bolsonaro diz que não foi consultado, Eduardo virou fiador de um aliado de Valdemar e Salles transformou a irritação da militância em munição contra o clã. Em São Paulo, a extrema direita começou a corrida ao Senado brigando consigo mesma.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/bolsonaro-eduardo-guerra-sp/

