“Bolsonaro tem que voltar pra Papuda hoje”, diz advogado após live de Flávio

Conselheiro da Comissão de Anistia e doutor em Direito Constitucional, o advogado Marcelo Uchôa afirmou em publicação nas redes sociais nesta terça-feira (14) que Jair Bolsonaro deve perder o benefício da prisão domiciliar após o filho “01”, Flávio Bolsonaro, surtar e disparar ataques ao ministro Alexandre de Moraes, autor da decisão, em live no Youtube.

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Para Uchôa, Flávio fez uma afronta à decisão judicial e ao Supremo Tribunal Federal (STF) ao afirmar que o pai passará a faixa presidencial a ele em 2027.

“A leitura não permitida da carta do presidiário pelo filho já havia sido um absurdo. Mas a live de ontem em que ele afirmou que o pai passará a faixa presidencial em 1° de janeiro é uma afronta e uma desmoralização total pra Justiça. Bolsonaro tem que voltar pra Papuda hoje mesmo”, disse.

https://x.com/MarceloUchoa_/status/2076975596832194870

Em live, Flávio Bolsonaro perdeu o controle e, aos berros, disparou palavrões, atacou Moraes e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e tentou transformar a medida judicial em mais um capítulo da narrativa de perseguição alimentada pelo clã Bolsonaro.

Durante mais de uma hora, o senador alternou momentos de exaltação com promessas eleitorais, apresentação de propostas de governo e pedidos de mobilização aos seguidores. A transmissão revelou não apenas o desespero diante da impossibilidade de recorrer pessoalmente ao pai durante os próximos meses, mas também a tentativa de explorar politicamente a própria restrição.

A live havia sido convocada para contestar a decisão de Moraes, mas terminou com contornos explícitos de pré-campanha. Flávio apresentou propostas para áreas como segurança pública, economia, educação, infraestrutura e assistência social.

Entre as medidas defendidas pelo senador estavam a criação de vouchers para mães matricularem os filhos em creches particulares quando não houver vagas na rede pública, mudanças no ensino técnico, endurecimento das penas contra integrantes de organizações criminosas, castração química para condenados por estupro e redução da burocracia para empresas.

Flávio também prometeu indicar quatro ministros para o STF caso seja eleito presidente e procurou mobilizar os espectadores da transmissão. Em diferentes momentos, perguntou “posso contar com você?”, pediu que os seguidores compartilhassem a live e os incentivou a convencer parentes e amigos.

“Não tem nada que me tire de ser, agora por enquanto, pré-candidato e, depois das convenções, candidato à presidência da República”, declarou.

Flávio classificou a decisão como “desproporcional”, “desarrazoada” e “sem pé nem cabeça”. O senador acusou Moraes de tentar interferir diretamente na disputa presidencial ao impedir o contato entre ele e o pai.

“Eu só poderia voltar a falar com o presidente Jair Bolsonaro depois do primeiro turno das eleições deste ano. Alguém acha que isso é uma coincidência? Qual o critério para esses 90 dias?”, questionou.

Flávio também afirmou que Moraes estaria procurando uma justificativa para revogar a prisão domiciliar de Bolsonaro.

“O que eu percebo é que, mais uma vez, o Alexandre de Moraes quer só uma desculpinha para tirar o meu pai da domiciliar em que ele se encontra. Gente, não vamos ser ingênuos”, disse.

A declaração contrasta com o fato de que a própria divulgação da carta, usada por Flávio para reforçar sua candidatura, motivou a nova restrição. O senador tentou apresentar a decisão como um ataque eleitoral, mas evitou responder ao ponto central levantado por Moraes: a utilização de Jair Bolsonaro como intermediário político nas redes sociais, apesar da proibição judicial.

No encerramento, o senador chegou a antecipar uma cena de posse presidencial em janeiro de 2027, apesar de Jair Bolsonaro estar cumprindo pena em regime domiciliar.

“O presidente Bolsonaro é que vai colocar a faixa de presidente em mim em janeiro do ano que vem. Anota aí. Vocês vão ver essa cena. Em nome de Jesus, vocês vão ver essa cena”, afirmou.

Pela tradição institucional, a faixa presidencial é entregue pelo presidente que deixa o cargo. Em janeiro de 2023, Jair Bolsonaro não participou da posse de Lula porque viajou para os Estados Unidos pouco antes do fim de seu mandato.

Surto

Em um dos momentos mais exaltados, Flávio elevou a voz e utilizou palavrões ao defender o endurecimento das punições contra autores de crimes sexuais.

“Tem que se fuder”, gritou o senador, antes de acusar Lula, sem apresentar provas, de defender criminosos desse tipo.

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/bolsonaro-voltar-papuda/