Olhos em Fachin nos próximos dias. Os bastidores do poder na capital federal fervilham em torno de uma manobra institucional vista por magistrados e interlocutores políticos como a única saída capaz de estancar a hemorragia que corrói a credibilidade do Supremo Tribunal Federal. Fontes ouvidas pela Fórum indicam que um movimento, cada vez mais denso nos corredores da Corte e nas redes de interlocução em Brasília, empurra o ministro Edson Fachin para o centro absoluto do tabuleiro: cresce a exigência para que o presidente do STF use as prerrogativas regimentais do cargo e assuma pessoalmente a condução das investigações do rumoroso escândalo do banco Master.
O ambiente de conflagração interna atingiu contornos inéditos após uma sucessão de contragolpes que expôs de forma crua as vísceras do tribunal. O estopim deu-se quando o ministro André Mendonça, até então à frente dos autos, chancelou investidas diretas, ao arrepio da Constituição e do Regimento Interno do STF, contra o colega de bancada Alexandre de Moraes, sob a alegação de supostos elos com o banqueiro Daniel Vorcaro, levantando de forma ostensiva o segredo de justiça que pairava sobre a troca de mensagens que consta nos levantamentos da PF. A cartada, no entanto, ricocheteou com violência em poucas horas: vieram à tona registros de agendas omitidas e uma reunião fora de protocolo do próprio Mendonça com o mesmo banqueiro fraudador para tratar de interesses milionários ligados a precatórios, arrastando o magistrado indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para o mesmo pântano que ele tentou delimitar.
A avaliação reservada entre integrantes do próprio Judiciário e lideranças de peso do ecossistema político é de que Mendonça comprometeu irremediavelmente a imparcialidade do processo ao atropelar ritos regimentais em prol de uma agenda alheia aos autos. Aliados da Corte apontam que a condução do caso tomou contornos abertamente eleitoreiros, desenhada para pavimentar o palanque da extrema direita e dar tração à candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. Contudo, com a descoberta de que o próprio relator transitava nas mesmas sombras operacionais do instituição bancária fraudadora, a permanência de Mendonça na liderança do expediente tornou-se do ponto de vista político e jurídico completamente insustentável para a governabilidade do tribunal.
Antes mesmo da abertura da sessão plenária desta quarta-feira (2), Fachin deu os primeiros sinais públicos da complexa estratégia de contenção de danos ao declarar enfaticamente que os indícios apontados exigem o rigoroso e devido encaminhamento institucional, frisando, contudo, que adotará as providências cabíveis sem açodamento e no tempo adequado. A manifestação discreta, porém cirúrgica, foi interpretada nos bastidores como um freio de arrumação contra o barulho produzido por Mendonça e um indicativo direto de alinhamento às sinalizações preventivas vinda da Procuradoria-Geral da República.
Neste cenário de paralisia e desconfiança mútua, a avocação da relatoria pela presidência da Corte surge não apenas como o único remédio capaz de despolitizar o processo, mas também como o passo prévio essencial para abrir apurações formais e isentas sobre a conduta de todos os envolvidos no imbróglio. Ao assumir o leme da causa, a gestão de Edson Fachin busca neutralizar o uso ideológico das decisões monocráticas, restabelecer a liturgia do devido processo legal e evitar que a escalada dessa crise de proporções imprevisíveis contamine irremediavelmente a estabilidade institucional das demais instâncias da República, assim como o processo eleitoral.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/brasilia-pressao-fachin-relatoria-master/

