Presa na Itália desde julho de 2025, a ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) chegou a destinar, quando ainda exercia seu mandato, emenda de R$ 2 milhões para a Academia Nacional de Cultura (ANC).
A presidente da entidade é Karina Ferreira da Gama, produtora da cinebiografia de Jair Bolsonaro (PL), Dark Horse. Porém, o recurso, que seria usado para financiar a produção de uma série, que foi alvo de auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU).
O dinheiro enviado por Zambelli foi transferido ao caixa do governo de São Paulo, sob o comando de Tarcísio de Freitas (Republicanos), em julho de 2024, para a produção de “Heróis Nacionais — Filhos do Brasil que não se rendem”, peça conservadora a respeito de personagens históricos brasileiros.
A série seria dividida em três episódios: “Portugal: Luz para o Brasil”; “José de Anchieta: o Apóstolo do Brasil”; e “Dom Pedro I: o Libertador”. Parte do dinheiro seria utilizada para a realização de um show musical.
No total, o projeto custaria R$ 2,6 milhões, recurso totalmente bancado por emendas de deputados bolsonaristas. Além de Zambelli, a produção recebeu mais R$ 1 milhão do deputado federal Marcos Pollon (PL-MS), atualmente suspenso da Câmara dos Deputados por quebra de decoro. Ele também destinou a verba por meio de emenda Pix.
Já o deputado federal cassado Alexandre Ramagem (PL-RJ) contribuiu com R$ 500 mil e Bia Kicis (PL-DF), com R$ 150 mil, ambos por meio de emenda com finalidade definida, de acordo com informações do Metrópoles.
TCU detecta incoerências
Porém, a ANC nunca recebeu o dinheiro, pois o processo acabou sendo alvo de um ofício do TCU, depois que auditoria identificou incoerências, especialmente o fato de o recurso ter sido depositado diretamente em uma conta do governo estadual.
Depois da determinação do TCU, o governo de São Paulo transferiu o recurso destinado à ANC, mas a verba ainda não foi encaminhada porque a entidade não apresentou a documentação necessária para receber o dinheiro.
“Se as pendências não forem resolvidas pela ONG, os recursos, que permanecem disponíveis para a execução, serão devolvidos à União, em conformidade com a legislação”, afirmou o governo, via nota.
Quem é Karina Ferreira da Gama
As complexas investigações que cruzam os gabinetes de alta relevância da política nacional, os órgãos de controle do estado de São Paulo e o sistema financeiro transnacional ganharam uma personagem central. O nome de Karina Ferreira da Gama, até pouco tempo restrito aos bastidores de editais públicos e pequenas produtoras, converteu-se no ponto de inflexão de um dos maiores escândalos políticos e financeiros dos últimos anos.
Ela surge como o elo definitivo entre um contrato de R$ 108 milhões firmado com a Prefeitura de São Paulo e a opaca estrutura de captação de recursos para Dark Horse.
Reportagens publicadas por inúmeros veículos nos últimos meses, inclusive pela Fórum, passaram a lançar luz sobre uma sofisticada engenharia de CNPJs comandada por Karina. Sob o manto de atuações sociais, educacionais e de conectividade digital, a empresária edificou uma rede corporativa que agora é alvo de pente-fino do Ministério Público de São Paulo e do Supremo Tribunal Federal.
A suspeita que move os investigadores é contundente: uma estrutura pública de conectividade na maior metrópole da América Latina pode ter servido de base operacional e fluxo de caixa para um projeto cinematográfico de viés ideológico financiado, em parte, por capitais sob profunda suspeita criminal. Confira aqui reportagem completa.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/carla-zambelli-enviou-r-2-milhoes-em-emenda-para-produtora-de-filme-de-bolsonaro/

