O salário mínimo comprava 1,8 cesta básica durante o governo Jair Bolsonaro (2019-2022) e passou a comprar 2,2 cestas básicas no atual governo Lula, segundo declarações do próprio presidente em debate eleitoral, com base em dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). A diferença reflete políticas opostas de valorização do mínimo: enquanto Bolsonaro não renovou a regra que atrelava o reajuste ao crescimento do PIB, Lula retomou a prática de aumentos acima da inflação, ampliando o acesso dos trabalhadores a itens essenciais.
O que os dados mostram
Em debate presidencial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou uma comparação direta entre os dois governos: “No governo deles, a cesta básica, o salário mínimo comprava 1,8 cesta básica. No meu governo, já estou comprando 2,2 cesta básica e eu quero chegar a 2,5 ou 3 cestas básicas, porque nós que tivemos a decência de aumentar o salário mínimo acima da inflação, coisa que eles não fizeram em nenhum ano.”
A diferença no custo dos alimentos entre os dois períodos é igualmente expressiva. Segundo Lula, “nos quatro anos do governo deles, a inflação de alimentos foi de 56,17%. Agora, nos meus quatro anos, está 13%. Quatro vezes menos.” Esse dado converge com levantamento da Central Única dos Trabalhadores (CUT), segundo o qual os preços dos alimentos acumularam alta de 54,2% durante o governo Bolsonaro, deixando o país com um patamar de custo de vida elevado já no início do atual mandato.
As políticas de valorização do salário mínimo
A diferença nos números tem raiz em escolhas políticas concretas. Segundo análise do CECON N. 18, elaborada por Arthur Welle, Juliane Furno e Pedro Paulo Zahluth Bastos, o governo Bolsonaro não renovou, em 2019, a regra instituída em 2012 que determinava o reajuste do salário mínimo com base na inflação e na variação do PIB. O resultado foi que, em vários momentos, o mínimo não apenas deixou de ter ganho real como também não recompôs sequer a inflação, contrariando a determinação constitucional.
O contraste com os mandatos anteriores de Lula é direto. Nos dois primeiros mandatos (2003-2010), o aumento real do salário mínimo chegou a 57%, impulsionado pela política permanente de valorização que combinava repasse integral da inflação com crescimento real atrelado ao PIB, conforme aponta o mesmo estudo do CECON N. 18. A retomada dessa lógica no atual governo é o que explica, em grande medida, a recuperação do poder de compra registrada nos dados sobre a cesta básica.
Impacto na vida dos brasileiros
A discussão sobre o salário mínimo não é abstrata: ela define diretamente as condições de vida de uma parcela enorme da população. Quase 70% dos brasileiros tinham renda domiciliar per capita de um salário mínimo ou menos em 2021, segundo a Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios Contínua (PNADC). Para esse contingente, qualquer variação no piso nacional se traduz imediatamente em mais ou menos comida na mesa.
O impacto se estende também ao sistema previdenciário. Cerca de 59,4% dos beneficiários do Regime Geral de Previdência Social, o equivalente a quase 19 milhões de aposentados e pensionistas, recebem exatamente um salário mínimo. Para eles, a diferença entre uma política que garante ganho real e outra que nem repõe a inflação é a diferença entre manter ou perder poder de compra mês a mês. A política de reajuste do mínimo é, portanto, um dos principais determinantes da condição de vida material da maioria da população brasileira, e os números sobre a cesta básica tornam essa equação visível de forma concreta.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/cesta-basica-lula-bolsonaro/

