O forte “chega pra lá” de Gleisi na Folha após jornal retomar ataques a Lula

A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR), ex-ministra e ex-presidenta nacional do Partido dos Trabalhadores, recorreu às redes sociais para desferir uma contundente reação pública contra a cobertura editorial da Folha de S.Paulo. O estopim para o posicionamento da dirigente foi a intensificação de uma linha impositiva do periódico que vem cobrando, de forma incessante, uma agenda drástica de arrocho fiscal e de enxugamento de investimentos sociais do governo federal recém-reeleito.

Em sua manifestação, a liderança partidária expôs o que considera uma tentativa sistemática de emparedamento da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por parte de um veículo que, sob a roupagem de pretenso apartidarismo, historicamente atua em sintonia com os interesses do setor financeiro, o tal “mercado”. A resposta veemente de Gleisi escancara a contradição de uma cobrança editorial que exige do chefe do Executivo o cumprimento de um programa econômico diametralmente oposto àquele aprovado nas urnas pela maioria da população brasileira.

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Falsa neutralidade e o programa derrotado nas urnas

A artilharia verbal da ex-ministra mirou no coração da postura assumida pelo matutino paulista desde o encerramento do processo eleitoral. Ao longo do pleito, a publicação alinhou-se de maneira nada velada ao ideário defendido pelo mercado financeiro e encarnado pela candidatura derrotada do extremista Flávio Bolsonaro (PL). Agora, no ciclo posterior à apuração das urnas, a cobertura jornalística busca impor ao presidente vitorioso a implementação da agenda que saiu perdedora na disputa democrática.

O nó górdio do embate reside na natureza dos ajustes exigidos. De um lado, a publicação consolida exigências pautadas pelo arrocho em programas sociais, pelo dogmatismo na defesa da manutenção de juros altos e pelo alinhamento direto com a rentabilidade do mercado financeiro. Do outro, o posicionamento do governo vitorioso reafirma a preservação do investimento público em áreas essenciais, a exigência de um debate amplo sobre o custo do crédito e o foco prioritário no crescimento econômico e na inclusão social.

O governo Lula tem reiterado seu compromisso com a sustentabilidade das contas públicas e com a responsabilidade fiscal, contudo, sem jamais prometer o sacrifício de verbas voltadas à saúde, educação, assistência social e infraestrutura básica. A plataforma vitoriosa assegurava que a reorganização das finanças estatais não se daria às custas das parcelas mais vulneráveis da sociedade. Ao cobrar cortes profundos nos programas sociais, o jornal tenta impor um roteiro que Lula jamais subscreveu, agindo como se detivesse a prerrogativa de ditar os rumos do plano de governo.

Ao pontuar de forma incisiva que “a Folha não disputou nem ganhou as eleições”, Gleisi redefiniu as fronteiras entre o papel legítimo da crítica jornalística e a pretensão de tutela política. O recado enfatizou que os vetores do desenvolvimento econômico e social do país foram determinados pelo sufrágio universal, e não pelas convenções ou interesses do mercado corporativo.

Dogma dos juros e as vozes dissonantes dentro do próprio jornal

A crítica da dirigente partidária estendeu-se à forma como a discussão sobre a taxa básica de juros vem sendo interditada no debate público. Segundo a análise apresentada por Gleisi, há uma investida articulada para tratar o patamar elevado da Selic como um dado imutável ou como o único remédio cabível, interditando a busca por alternativas de política monetária que preservem a atividade econômica e o emprego.

Um dos pontos mais reveladores da reação do PT foi o destaque dado a conteúdos publicados pela própria estrutura da Folha de S.Paulo que expuseram as fissuras e os dogmas do diário. Gleisi citou explicitamente o posicionamento da ombudsman do jornal, Alexandra Moraes, e o artigo assinado pelo empresário Josué Gomes da Silva, ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Alexandra Moraes registrou que o periódico perdeu a oportunidade de aprofundar o debate sobre formulações econômicas heterodoxas, como as propostas formuladas pelo economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real. A ombudsman apontou que o jornal “julgou e condenou sem ler e sem entender” sugestões voltadas ao enfrentamento dos juros elevados, preferindo alimentar versões alarmistas sobre supostos tabelamentos ou intervenções forçadas.

Já em relação à visão do setor produtivo, Josué Gomes da Silva criticou em sua contribuição analítica a desqualificação a priori promovida pelo setor financeiro e espelhada no meio editorial contra qualquer alternativa que não passe pelo desmonte de despesas públicas. Para o empresário, cria-se um ambiente de rejeição imediata a propostas de estímulo ao crescimento, tratando abordagens divergentes como suspeitas ou irresponsáveis.

Ao evocar essas reflexões internas da própria publicação, Gleisi Hoffmann evidenciou que a cobrança por um debate sério e sem preconceitos ideológicos não representa um mero capricho governamental, mas uma demanda de setores diversos do país, do meio acadêmico ao meio industrial, que enxergam na manutenção de juros extorsivos uma chaga capaz de sufocar o desenvolvimento nacional e sufocar as finanças públicas.

Disputa narrativa sobre os rumos do país

A manifestação da parlamentar petista sinaliza que o Palácio do Planalto e a direção do partido não pretendem adotar uma postura passiva diante de pressões por um arrocho que desfigure o compromisso assumido com a população. A reação ao “terrorismo fiscal” denunciado no texto de Gleisi visa delimitar que a legitimidade para conduzir a política econômica pertence ao projeto escolhido nas urnas.

O confronto expõe, em última análise, a permanente disputa de narrativas entre o poder político democraticamente delegado e os grupos de pressão midiáticos e econômicos. Ao responder com firmeza e sem rodeios às investidas editoriais, o partido reafirma que o foco do mandato reeleito permanecerá centrado no combate à desigualdade, no fortalecimento do mercado interno e na contestação de dogmas que sacrificam o bem-estar social em nome de uma austeridade seletiva.

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/chega-pra-la-gleisi-folha-ataques-lula/