Claudio Castro na mira da PF: o senador de Flávio e o elo com o clã Bolsonaro

Cláudio Castro (PL), ex-governador do Rio de Janeiro e pré-candidato ao Senado no campo de Flávio Bolsonaro, foi alvo da Polícia Federal na manhã desta sexta-feira (15), no Rio de Janeiro, em uma operação ligada ao grupo Refit, dono da antiga Refinaria de Manguinhos. A ordem foi dada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo a CNN Brasil.

A PF cumpriu mandados de busca e apreensão contra Castro e contra o empresário Ricardo Magro, dono da Refit. Os agentes estiveram na casa do ex-governador, em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio. A operação também determinou o bloqueio de R$ 52 bilhões em ativos financeiros do grupo investigado.

Foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão e sete medidas de afastamento de cargos públicos no Rio de Janeiro, em São Paulo e no Distrito Federal. A ofensiva ocorre no rastro das apurações sobre um dos maiores esquemas de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro do setor de combustíveis no país.

Cláudio Castro e o caso Refit

A Refit já havia entrado no radar de órgãos federais em 2025. Em setembro, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis interditou cautelarmente instalações da Refinaria de Manguinhos, no Rio, após fiscalizações ligadas às operações Cadeia de Carbono e Carbono Oculto.

Na ocasião, a ANP apontou irregularidades operacionais e determinou que a empresa cessasse atividades relacionadas aos tanques interditados e aos produtos apreendidos até nova autorização da agência.

Dois meses depois, a Receita Federal deflagrou a Operação Poço de Lobato e afirmou que o grupo investigado movimentou mais de R$ 70 bilhões em apenas um ano por meio de empresas próprias, fundos de investimento, offshores e estruturas financeiras usadas para ocultar e blindar lucros.

Segundo a Receita, os investigados importaram mais de R$ 32 bilhões em combustíveis entre 2020 e 2025. O órgão também apontou que 17 fundos ligados ao grupo somavam patrimônio líquido de R$ 8 bilhões.

O senador de Flávio

O peso político da operação contra Cláudio Castro está no calendário eleitoral. O ex-governador é o nome que o PL fluminense tenta manter competitivo para o Senado, em uma composição diretamente ligada a Flávio Bolsonaro.

Em março, o próprio Flávio disse, em evento no Rio, que Castro era “pré-candidato ao Senado” e que o caminho do grupo seria decidido em conjunto com as forças da direita no estado. A fala ocorreu no momento em que o ex-governador tentava preservar seu projeto eleitoral diante da crise no Tribunal Superior Eleitoral.

Dias depois, o TSE declarou Cláudio Castro inelegível por oito anos, por 5 votos a 2. A maioria dos ministros entendeu que ele praticou abuso de poder político e econômico, condutas vedadas e captação ilícita de recursos nas eleições de 2022.

A Revista Fórum mostrou que Flávio Bolsonaro havia fechado palanque com Castro no Rio, apesar do risco de a Justiça Eleitoral melar a costura. A disputa pelo Senado virou peça central da montagem bolsonarista no estado.

O elo com o clã Bolsonaro

A nova operação contra Castro amplia a pressão sobre o clã Bolsonaro em uma semana já dominada por outro escândalo: a revelação de mensagens e áudios envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Reportagem do The Intercept Brasil revelou que Flávio negociou diretamente com Vorcaro US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões, para financiar o filme “Dark Horse”, uma cinebiografia de Jair Bolsonaro. O senador confirmou que pediu dinheiro ao banqueiro, mas afirmou que se tratava de patrocínio privado para um filme privado e negou ter oferecido vantagens.

A Fórum já mostrou que Master, Refit e Carbono Oculto compõem um mesmo ambiente político e econômico em que Faria Lima, Centrão e crime organizado aparecem nas investigações sobre combustíveis, fundos, bancos e estruturas de lavagem.

Castro também já havia sido tragado pelo escândalo do Banco Master. A Fórum mostrou que a PF chegou ao entorno do governo fluminense ao investigar aplicações do Rioprevidência em letras financeiras do Banco Master.

A Operação Barco de Papel, deflagrada em janeiro, mirou nove operações realizadas entre novembro de 2023 e julho de 2024, que somaram cerca de R$ 970 milhões em recursos de uma autarquia responsável por aposentadorias e pensões de servidores do Rio. Segundo a Polícia Federal, as aplicações expuseram o patrimônio da autarquia a risco elevado e incompatível com sua finalidade.

Pressão sobre o projeto bolsonarista no Rio

O quadro cria uma sequência de desgaste para o PL no Rio. O pré-candidato de Flávio ao Senado já estava inelegível por decisão do TSE, já havia sido alcançado pelo caso Banco Master por meio do Rioprevidência e, agora, aparece como alvo de buscas da PF no caso Refit.

Para o clã Bolsonaro, a coincidência política é explosiva. Flávio tenta se apresentar como pré-candidato presidencial enquanto explica sua relação com Vorcaro. Ao mesmo tempo, seu principal ativo eleitoral no Rio é atingido por uma operação que envolve o maior devedor do setor de combustíveis e uma engrenagem financeira bilionária.

Castro nega irregularidades em investigações que atingem sua gestão. Flávio Bolsonaro nega ter cometido irregularidade no caso Vorcaro e diz que não recebeu dinheiro nem ofereceu vantagem ao banqueiro. A Refit também tem negado irregularidades nas apurações sobre sua atuação no setor de combustíveis.

O problema político para o bolsonarismo é que a PF não está mais batendo apenas em adversários. Nesta sexta-feira, bateu na porta do candidato ao Senado de Flávio Bolsonaro.

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/claudio-castro-pf-flavio-bolso/