Na decisão em que deu aval ao desencadeamento da oitava fase da Operação Compliance Zero, que cumpriu mandados de busca e apreensão na cobertura do ex-governador Cláudio Castro (PL) na Barra da Tijuca, no Rio, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirma que o aliado do clã Bolsonaro tinha “vínculo pessoal estreito com o controlador do Banco Master”, Daniel Vorcaro.
“Segundo a representação, a atuação do ex-Governador não se limitou a contatos institucionais, mas envolveu vínculo pessoal estreito com o controlador do Banco Master, caracterizado por encontros frequentes, inclusive em ambientes privados e no exterior, custeados pelo banqueiro, com elevada coincidência temporal em relação aos aportes bilionários do RioPrevidência”, diz Mendonça.
Segundo o ministro, “esse relacionamento teria viabilizado o alinhamento político necessário para a liberação dos investimentos, bem como a nomeação estratégica de dirigentes do RioPrevidência em cargos-chaves (Presidência, Diretoria de Investimentos e Gerência de Investimentos), assegurando que as decisões de credenciamento e de aplicação de recursos previdenciários fossem conduzidas em desconformidade com a política de investimentos e com as normas regulatórias, mas em consonância com os interesses do Banco Master. Os indícios apontam, ainda, para a continuidade das aplicações mesmo diante de alertas formais de órgãos de controle e pareceres técnicos desfavoráveis, viabilizando-se a manutenção do fluxo de recursos públicos para operações classificadas como temerárias e desprovidas de justificativa técnica”, segue o ministro.
A revelação de que Daniel Vorcaro mantinha encontros pessoais com Castro acontece na esteira do áudio e da visita de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao banqueiro, que teria prometido cerca de 24 milhões de dólares supostamente para financiar o filme Dark Horse, que narra a versão da ultradireita sobre Jair Bolsonaro (PL). Ao menos 10 milhões de dólares – cerca de R$ 61 milhões – teriam sido depositados no fundo Havengate, nos EUA, administrado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
A decisão afirma ainda que conversas encontradas no celular de Vorcaro indicam que a liberação de determinados investimentos dependia de alinhamento político com o ex-Chefe do Executivo estadual.
Segundo informações da Polícia Federal, Castro teria transferido cerca de R$ 3 bilhões ao grupo Master. O dinheiro teria saído principalmente do caixa da Rioprevidência, o fundo que gere os benefícios de 235 mil aposentados e pensionistas do estado.
Na decisão, Mendonça lista ainda o acervo de provas apresentado pelos investigadores, incluindo “mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, a reconstituição da cronologia de encontros e aportes, os documentos administrativos do RioPrevidência, os registros de credenciamento, as referências de auditorias do TCE/RJ e da Secretaria de Regime Próprio e Complementar do Ministério da Previdência Social, além de elementos que indicam decisões sucessivas em desconformidade com a política de investimentos, com a regulação prudencial e com os deveres de diligência dos gestores”.
“A representação assevera que a apreensão de documentos, mídias digitais, computadores, aparelhos telefônicos e outros suportes é necessária para a aferição e corroboração dos vínculos entre os integrantes do grupo, bem como para a identificação de outros participantes e do percurso das vantagens indevidas. O conteúdo desses dispositivos tem potencial para revelar os diálogos contemporâneos do grupo, os instrumentos do crime e os elementos de conexão entre agentes públicos, intermediários e pessoas jurídicas utilizadas na prática delitiva. Em contexto de apuração de organização criminosa, a pronta preservação das fontes de prova revela-se indispensável à efetividade da investigação”, emenda.
Leia a íntegra da decisão de Mendonça sobre a ação contra Cláudio Castro
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/claudio-castro-vinculo-pessoal-estreito-com-banco-master-daniel-vorcaro/

