Costa Neto antecipou acordo entre Flávio Bolsonaro e Alcolumbre para barrar CPI do Master; veja vídeo

Presidente do PL, Valdemar da Costa Neto antecipou em quase dois meses a negociata envolvendo Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) que resultou no acordão que barrou a CPI do Master em troca do veto de Lula ao PL da Dosimetria e da rejeição do nome do Advogado-Geral da União (AGU) Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF).

Em entrevista ao Canal Livre, da Band, em 1º de março, Costa Neto revelou a negociação e o temor da investigação sobre o Banco Master, de Daniel Vorcaro, que, segundo ele, “vai atingir meio mundo”.

ENTENDA:
Como Flávio Bolsonaro se uniu a Alexandre de Moraes no acordão de Alcolumbre por “anistia” e barrar CPI do Master

Indagado se haveria alguma chance de que a análise do veto sobre a dosimetria poderia entrar na pauta no ano eleitoral, o presidente do partido de Flávio Bolsonaro revelou que estava envolvido diretamente na negociação com o senador amapaense.

“Eu tive uma proposta essa semana, mas eu não tenho como fazer. Eu falei com Rogério Marinho [líder do PL no Senado], eles querem votar dosimetria desde que não se faça a CPI do banco Master no Senado”, afirmou.

“Quem? O Alcolumbre?”, indagou o jornalista. “O Alcolumbre é um deles”, respondeu.

Costa Neto então é perguntado se Alcolumbre não quer a CPI porque o atinge. “Ele não quer a CPI do Master”, indaga o jornalista. “Lógico que não”, retruca Costa Neto.

O repórter, então, pergunta: “por quê? Por que o atinge?”. E o líder do PL responde: “Atinge meio mundo. Mas, ai eles fariam a anistia”.

“Mas não temos condição porque eles já fizeram vários acordos com a gente para votar dosimetria e tudo mais e eles não conseguem cumprir”, emendou.

R$ 3 milhões na conta de Bolsonaro

Na sequência, Costa Neto revela que o pastor da Lagoinha Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro que também está preso, depositou R$ 3 milhões diretamente na conta de Bolsonaro.

“Quando eles falam que ele foi o maior doador é porque ele deu R$ 3 milhões na campanha do Bolsonaro, deu diretamente na conta do Bolsonaro. Na conta do partido também entrava dinheiro e nós tivemos até doações de 7 milhões de uma pessoa só”, afirmou.

Costa Neto ainda concorda que a CPI do Master pode ser “grande bomba da eleição” e antecipa também que os tentáculos do esquema de Vorcaro atingiriam prefeituras e “gente conhecida nossa ai” em São Paulo.

“Eles querem a CPI no Senado. Não querem fazer mista. E isso aí vai entrar meio mundo nisso aí. Quer dizer, a gente nem imagina quem vai entrar. Tem gente aqui de São Paulo que me falaram essa semana, a gente conhecida nossa aí, que pedia para os prefeitos comprar título comprar ações do Banco Master”, disse.

https://x.com/BandJornalismo/status/2028308839834034281

Previsão errada

Diferentemente do que disse Costa Neto, no entanto, o acordo para derrubar o veto de Lula ao PL da Dosimetria e barrar a CPI do Banco Master foi feito por Flávio Bolsonaro e Rogério Marinho e cumprido por Davi Alcolumbre.

Em entrevista ao Jornal Nacional na quinta-feira (30) para falar sobre a rejeição do nome de Messias, Marinho falou da importância de impor uma derrota política ao governo com o acordo feito com Alcolumbre.

“Havia uma necessidade de termos uma unidade no nosso posicionamento aqui. Que a derrota dessa indicação, politicamente para nós, era muito importante, como uma sinalização à sociedade de que o Senado volta a se empoderar”, disse.

Negociação começou em fevereiro

Alcolumbre rompeu e se irritou com Lula quando o presidente resolveu indicar o Advogado-Geral (AGU) da União Jorge Messias para a vaga deixada por Luís Roberto Barroso no STF. Seu nome para o posto era de Rodrigo Pacheco (PSB-MG), político mineiro que contou com sua imprescindível ajuda para sucedê-lo na Presidência do Senado em 2021.

No início do ano legislativo, após Lula vetar o PL da Dosimetria em ato simbólico no 8 de Janeiro, Alcolumbre se aproximou de Flávio Bolsonaro (PL) e iniciou as negociações que, em princípio, trocariam os votos necessários para barrar Messias no Senado pela retomada da “anistia” a Bolsonaro, que já se encontrava devidamente preso.

O escândalo financeiro no Caso Master, no entanto, ampliou a negociata. A ampla rede de relacionamentos de Daniel Vorcaro, que vai do “amigo da vida” Ciro Nogueira (PP-PI) à contratação do escritório de Viviane Barci de Moraes, passando pela rede de influência do próprio presidente do Senado e do financiamento da campanha eleitoral de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas (Republicanos), capitalizou o poder de barganha.

(E aqui cabe parênteses: líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA) protagonizou um caso isolado no campo progressista, usado pela mídia liberal para generalizar a cobertura e incluir até mesmo Lula, no safado PowerPoint da Globonews. A empresa da nora de Wagner manteve contrato com o Master entre 2022 e 2025 após o senador baiano, como secretário de Desenvolvimento Econômico, se desfazer de uma rede estatal de supermercados, comprada por Augusto Lima, sócio de Vorcaro).

O avanço das investigações sobre a Faria Lima – que se estende a facções criminosas já conhecidas, como o Primeiro Comando da Capital, o PCC – causou pânico em Brasília. E foi ai que Alcolumbre resolveu ampliar o acordão com Flávio Bolsonaro, colocando no pacote o travamento da CPI do Master, que colocaria o escândalo financeiro em evidência em plena campanha eleitoral.

Na última semana, Alcolumbre se encontrou duas vezes com Moraes, uma delas em um jantar oferecido pelo próprio ministro em sua casa na terça-feira (28), véspera sabatina de Messias.

Assim como Flávio Bolsonaro e Alcolumbre, Moraes não tem interesse que o caso Master, que começa a sumir das manchetes, voltasse à tona com uma CPMI no Congresso.

Foi, então, que o presidente do Senado selou a imprevista união, distribuindo favores e promessas, típicos de sua postura, tanto a Moraes, quanto a Flávio Bolsonaro.

Alexandre de Moraes e o Caso Master

Alvo de pedidos de impeachments, que se avolumaram após a revelação do elo com Daniel Vorcaro, Alexandre de Moraes também estaria incomodado com a relatoria do caso no STF nas mãos de André Mendonça, o “terrivelmente evangélico” ministro de Bolsonaro, que se tornou o fiador de Messias junto ao Supremo em razão da afinidade religiosa.

Ao assumir a relatoria do caso Master e iniciar a blindagem de quadros bolsonaristas – e do próprio Vorcaro, que foi desobrigado a comparecer a comissões no Congresso -, Mendonça prometeu não poupar os pares, em recado a Dias Toffoli e a Moraes, algoz do clã Bolsonaro.

Ao aderir ao acordão de Alcolumbre, Moraes afastaria a possibilidade de ser alvo de um impeachment, já que o amigo firmou comprometimento de não colocar – ao menos, por enquanto – os pedidos em pauta.

Moraes ainda evitaria surpresas na corte com Messias, que já se alinhara ao desafeto André Mendonça, o primeiro ministro a lamentar publicamente a negativa do Senado ao nome do indicado por Lula.

Com Flávio Bolsonaro, Alcolumbre manteve o acordo sobre a derrubada do veto da dosimetria, em troca dos votos para barrar Messias. E ampliou a tratativa, oferecendo uma ponte com Moraes e o STF, que será agora o responsável por “dosar” a pena, como relator do caso – ou seja, para calcular em quanto tempo a sentença de 27 anos e 3 meses de Bolsonaro será reduzida.

A adesão ao acordo também beneficia a fantasia de “moderado” de Flávio Bolsonaro, que vai usar a aproximação com o próprio Moraes para se mostrar como “o pacificador” à Faria Lima e à mídia liberal, além dos quadros do Centrão e da burguesia paulista, onde Michel Temer ainda tem influência.

Em troca, Flávio Bolsonaro teria se comprometido a atuar em prol de um novo mandato de Alcolumbre na Presidência do Senado, caso vença Lula e assuma o Planalto em 2027.

Alcolumbre ainda conta com a anuência da mídia liberal para encobrir o acordo, já que a própria Globo e outros grupos, como o Metrópoles, têm interesse em abafar a cobertura do caso Master diante dos vultosos recursos recebidos de Daniel Vorcaro em publicidade e patrocínio de eventos.

O cálculo final é eleitoral. Diferentemente do que o bolsonarismo sempre tentou pregar, Moraes nunca foi “lulista”. O ministro, que se mostra submisso ao padrinho Temer, é adepto da mesma pauta neoliberal e entreguista da terceira via.

Por medo do avanço das investigações do caso Master, os mesmos grupos que golpearam Dilma Rousseff em 2016 voltam a se aglutinar, em um novo grande acordo, como diria Jucá, “com o Supremo, com tudo”.

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/costa-neto-antecipou-acordo-flavio-bolsonaro-e-alcolumbre-cpi-do-master/