Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, passou a ser mantido sob segurança reforçada da Polícia Federal em Brasília, com medidas extraordinárias e proteção antidrones, após a Câmara dos Deputados apontar risco de ataques contra o banqueiro preso na Operação Compliance Zero.
A medida não surgiu do nada. O alerta foi formalizado em março, poucos dias depois da nova prisão de Vorcaro, quando a investigação já havia identificado suspeitas de uma estrutura privada de intimidação, espionagem e acesso ilegal a dados sensíveis no entorno do ex-dono do Master.
O pedido foi apresentado pelo deputado Messias Donato (Republicanos-ES) na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado. A tramitação oficial da Câmara registra que o requerimento foi aprovado em 17 de março, que a resposta da PF chegou em 14 de abril e que o caso foi arquivado no dia seguinte por realização do objeto.
Daniel Vorcaro virou alvo de preocupação dentro da própria investigação
O requerimento aprovado pela Câmara dizia que Daniel Vorcaro estava preso preventivamente desde 4 de março, por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, na terceira fase da Operação Compliance Zero.
O texto também afirmava que o caso havia avançado para além das suspeitas de fraudes bilionárias e lavagem de dinheiro. A preocupação passou a envolver a existência de uma estrutura paralela associada a intimidação, coação, monitoramento ilegal e acesso indevido a sistemas sensíveis de órgãos públicos.
Na avaliação do parlamentar, a prisão não reduzia o risco. Pelo contrário: poderia tornar Vorcaro alvo de antigos aliados, operadores ou terceiros interessados em impedir delações e manter ocultas conexões políticas, empresariais e judiciais.
PF reforçou custódia de Daniel Vorcaro em Brasília
A resposta da Polícia Federal à Câmara informou que foram adotadas medidas extraordinárias para garantir a integridade física de Daniel Vorcaro enquanto ele permanecia sob custódia no Distrito Federal.
Entre as providências, a PF reforçou protocolos internos, ajustou instalações e ampliou a segurança orgânica no entorno da unidade. O ponto mais sensível foi o reforço antidrones nas imediações da Superintendência Regional da PF no Distrito Federal.
O detalhe mostra que a corporação tratou a custódia de Vorcaro como um caso fora do padrão. A preocupação não era apenas com fuga ou rotina carcerária, mas com interferência externa em uma investigação que envolve dinheiro, poder político, operadores privados e possíveis delações.
“A Turma” explica o temor em torno de Daniel Vorcaro
O pedido da Câmara citou a existência de “A Turma”, núcleo apontado como uma espécie de milícia privada ligada a Daniel Vorcaro. O grupo teria atuado para monitorar e ameaçar adversários, desafetos, ex-funcionários e jornalistas.
A Fórum mostrou que esse núcleo passou a ocupar papel central nas fases mais recentes da Compliance Zero. A investigação mira suspeitas de pagamentos, espionagem, intimidação e acesso ilegal a dados no entorno do Banco Master.
O alerta ganhou força também por causa de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, apontado como operador de ações de intimidação vinculadas ao grupo. Ele foi citado no requerimento da Câmara como um dos elementos que reforçavam o ambiente de pressão e instabilidade na investigação.
Caso Master voltou ao centro da crise política
A proteção especial a Daniel Vorcaro reaparece em um momento em que o caso Master voltou ao centro da disputa política. A Fórum revelou novas frentes da investigação, incluindo a atuação de núcleos ligados a hackers, operadores financeiros e personagens próximos ao bolsonarismo.
Em uma das frentes, a PF passou a investigar “Os Meninos”, grupo suspeito de ataques cibernéticos, invasões telemáticas e monitoramento digital ilegal. Em outra, o caso avançou sobre pagamentos e movimentações que ampliaram a pressão sobre aliados de Jair Bolsonaro.
A resposta da PF à Câmara, portanto, dá novo peso a uma questão que parecia lateral em março. A segurança de Daniel Vorcaro virou parte do próprio enredo da Compliance Zero: proteger o preso significava também preservar uma peça-chave de uma investigação que envolve o Banco Master, estruturas clandestinas de intimidação e possíveis conexões com autoridades dos Três Poderes.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/daniel-vorcaro-antidrones/

