Durante a CPAC (Conservative Political Action Conference), nos Estados Unidos, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro expôs sem rodeios o que aliados já vinham tratando de forma reservada: a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência deixou de ser apenas um projeto político e passou a ser apresentada como uma necessidade pessoal da família.
Em entrevista ao blogueiro Allan dos Santos, Eduardo afirmou que a vitória do irmão seria, em sua visão, a única alternativa para que os Bolsonaro consigam “voltar para casa”. No mesmo movimento, reagiu a críticas internas ao nome de Flávio, inclusive aquelas feitas por aliados, indicando que vê essas posições como ameaça direta à sua situação familiar.
“Ele [Flávio] sendo eleito é a única opção que a gente tem de voltar pra casa. Enquanto muita gente está preocupado com poder dentro do PL, a eleição no seu estado e etc., quando eu olho um cara criticando de maneira construtiva, com muitas aspas, o Flávio, eu olho e penso o seguinte: esse filha da puta vai brigar o meu filho a falar inglês como lingua original e não vai permitir que o neto encontre o vô antes dele falecer. Não é só uma eleição. Pra mim é uma questão de muito impacto na minha vida. ‘Você está trabalhando em interesse próprio?’ Sim!“
A declaração reforça a leitura de que o projeto político do grupo está diretamente ligado à situação da família Bolsonaro, e não apenas a uma agenda pública.
Confira o vídeo:
— Che_quei (@Che_quei) April 2, 2026
Crise com Michelle
O episódio também respingou dentro do próprio bolsonarismo. Interlocutores relatam que as falas ampliaram o desgaste com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, em um momento considerado estratégico.
A relação, que já vinha tensionada, piorou após o CPAC. Nos bastidores, aliados descrevem o cenário como de “guerra aberta”. Michelle teria passado a evitar contato direto com Eduardo, utilizando intermediários.
Nesta semana, Flávio Bolsonaro também oficializou o apoio à candidatura de Ciro Gomes (PSDB) no Ceára. O apoio ao cearense, visto como traição à Michelle, foi pivô de uma das batalhas dos filhos de Jair Bolsonaro com a madrasta no final do ano passado.
Aliados avaliam que o conflito dentro da própria família pode fragilizar o grupo e abrir espaço para outras candidaturas no campo da direita, como a do governador Ronaldo Caiado que, na últma semana, colocou sua candidatura à serviço da anistia aos golpistas do 8 de janeiro.
Fonte: https://revistaforum.com.br/revista-forum/eduardo-bolsonaro-comete-sincericidio-e-revela-motivo-de-candidatura-de-flavio-interesse-proprio/


