Eduardo Bolsonaro segue conspirando contra o Brasil nos Estados Unidos mesmo depois de ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal por tentar interferir no processo da tentativa de golpe. Nesta terça-feira (23), o ex-deputado publicou registros de encontros em Washington DC com senadores republicanos e voltou a defender pressão estrangeira contra autoridades brasileiras.
A nova ofensiva apareceu em três publicações no X. Em uma delas, Eduardo Bolsonaro compartilhou uma postagem que afirma que ele foi a Washington para se reunir com o governo Trump e negociar a substituição de tarifas contra o Brasil por sanções da Lei Magnitsky contra autoridades brasileiras, incluindo o ministro Alexandre de Moraes.
https://x.com/BolsonaroSP/status/2069265376186175874
https://x.com/BolsonaroSP/status/2069268657071341701
https://x.com/BolsonaroSP/status/2069260597481308593
Eduardo Bolsonaro leva ofensiva contra o Brasil a Washington
Em uma das publicações, Eduardo Bolsonaro disse ter ficado “extremamente impressionado” com o senador John Kennedy, republicano da Louisiana. Segundo o ex-deputado, Kennedy teria demonstrado familiaridade com a política brasileira e passado a falar sobre “censura e perseguição” no Brasil depois de ser apresentado como filho de Jair Bolsonaro.
O relato de Eduardo mostra a tentativa de internacionalizar a narrativa bolsonarista contra o Judiciário brasileiro. O ex-deputado afirmou que Alexandre de Moraes foi citado na conversa e que Lula também não teria sido “esquecido”.
O encontro ocorreu durante um jantar em Washington DC com senadores republicanos liderados por Tom Cotton, do Arkansas. Eduardo Bolsonaro estava acompanhado de Paulo Figueiredo, aliado que também atua nos Estados Unidos na ofensiva bolsonarista contra instituições brasileiras.
Condenado pelo STF, Eduardo Bolsonaro repete roteiro da coação
A movimentação ocorre poucos dias depois de o STF condenar Eduardo Bolsonaro a 4 anos e 2 meses de reclusão por tentar interferir no processo sobre a tentativa de golpe. Segundo o Supremo, a Primeira Turma entendeu que houve atuação para intimidar a Corte no julgamento da trama golpista.
A Revista Fórum já mostrou que a condenação abriu uma nova etapa para Eduardo Bolsonaro, com fase de recursos e impacto político direto sobre sua situação eleitoral. O ex-deputado também foi declarado inelegível por oito anos, como informou a cobertura da Fórum sobre o caminho até a prisão.
Mesmo condenado, Eduardo Bolsonaro voltou a exibir a mesma estratégia que está no centro da decisão do STF: buscar apoio político nos Estados Unidos para pressionar autoridades brasileiras. No post em que comenta a viagem a Washington, ele ataca Alexandre de Moraes e cita Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, com acusações não comprovadas na publicação.
Tom Cotton e John Kennedy viram vitrine da conspiração bolsonarista
Eduardo Bolsonaro também publicou uma foto com Tom Cotton e Paulo Figueiredo. No texto, chamou Cotton de “veterano da guerra no Afeganistão” e disse que o senador preside um dos comitês “mais importantes” do Congresso dos EUA, o Comitê de Inteligência do Senado.
O ex-deputado afirmou ainda que a campanha de Cotton deve receber apoio de brasileiros na Flórida em novembro. A fala transforma a articulação contra o Brasil em ativo eleitoral para a extrema direita dos Estados Unidos e em peça de mobilização para a base bolsonarista fora do país.
Com John Kennedy, Eduardo Bolsonaro disse que o senador “não esquecerá” dele. A frase revela o tom da operação política: criar pontes pessoais com congressistas trumpistas para manter pressão externa contra o STF, contra Lula e contra autoridades brasileiras.
Lei Magnitsky segue no centro da ofensiva contra Alexandre de Moraes
A Lei Magnitsky voltou a aparecer como instrumento central da ofensiva. A estratégia defendida por Eduardo Bolsonaro tenta trocar uma medida de impacto econômico amplo, como tarifas contra o Brasil, por sanções individuais contra autoridades brasileiras.
Na prática, a mudança preservaria o ataque político ao Estado brasileiro e concentraria o alvo em Moraes e outras autoridades. É o mesmo eixo explorado por Eduardo antes da condenação: usar a estrutura política dos Estados Unidos para constranger o Judiciário brasileiro.
A Fórum mostrou que Eduardo Bolsonaro adotou uma estratégia de confronto após a condenação, tentando tratar a decisão do STF como combustível para manter sua atuação internacional.
Eduardo Bolsonaro diz que condenação não impede atuação nos EUA
Nas redes, Eduardo Bolsonaro rejeitou o peso da condenação e afirmou que a decisão “em nada impede” seu trabalho internacional. “Hoje todos sabem a laia do Moraes e o escândalo de corrupção que ele e sua esposa Vivi protagonizam”, escreveu, sem apresentar prova na postagem.
O ex-deputado também tentou falar diretamente à base bolsonarista. “Obrigado tias do zap e tios do churrasco, é por isso que eles querem calar vocês, eu só estou no meio do caminho”, publicou.
A frase resume a nova etapa da ofensiva. Condenado pelo STF por tentar interferir no processo da trama golpista, Eduardo Bolsonaro segue usando os Estados Unidos como plataforma para atacar o Brasil, pressionar instituições e pedir apoio da extrema direita norte-americana contra autoridades brasileiras.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/eduardo-bolsonaro-eua-traicao/

