Eduardo Bolsonaro (PL-SP) divulgou nesta sexta-feira (3) um vídeo em que Adolfo Sachsida, ex-ministro de Jair Bolsonaro, acusa a Faria Lima de ter virado as costas para a extrema direita em 2022 por cálculo financeiro.
No X, o deputado chamou a fala de Sachsida de “choque de realidade” e pediu que seus seguidores assistissem ao “desabafo”. A publicação escancara o incômodo do clã Bolsonaro com o mercado financeiro no momento em que Flávio Bolsonaro tenta se vender como candidato palatável à Faria Lima em 2026.
https://x.com/BolsonaroSP/status/2073025099146412444
Eduardo Bolsonaro expõe fissura do clã com a Faria Lima
O trecho divulgado por Eduardo Bolsonaro tem 4min37s e mostra Sachsida reagindo à postura de liberais e agentes do mercado financeiro na eleição de 2022. O ex-ministro diz que alertou, ainda naquele ano, para a contradição de rejeitar Bolsonaro sob o argumento de que ele não respeitou integralmente o teto de gastos ou não privatizou todas as estatais e, ao mesmo tempo, votar em Lula.
“Eu acho que o setor financeiro esperava ganhar mais com o Lula do que com a gente e votou no Lula”, afirmou Sachsida.
A frase é o ponto central do vídeo. Sachsida não trata a Faria Lima como aliada frustrada com a política econômica de Bolsonaro. Ele acusa o setor financeiro de ter feito uma escolha pragmática, movida pela expectativa de ganhar mais dinheiro sob Lula.
A postagem de Eduardo ocorre depois de uma sequência de movimentos de Flávio Bolsonaro para tentar se aproximar do mercado. A Fórum mostrou que o senador montou um QG de campanha em São Paulo e passou a acenar à Faria Lima como nome da direita para 2026.
Sachsida cobra liberais que abandonaram Bolsonaro
No vídeo, Sachsida afirma que “líderes do setor financeiro” foram contra Bolsonaro e que parte do grupo apenas seguiu a orientação de cima. O ex-ministro não cita nomes de bancos, gestoras, empresários ou executivos.
Ele também mira quem justificou o voto em Lula com o argumento de defesa da democracia. Para Sachsida, parte desses agentes já estaria “comprada no argumento” e apenas procuraria uma forma de explicar a decisão.
“Você acredita no Lula, vota nele. Eu acredito que a direita vai ganhar essa eleição e nós vamos colocar o país nos trilhos”, disse.
A fala é uma cobrança direta ao mesmo setor que Flávio tenta atrair. Em outra reportagem, a Fórum mostrou que Sachsida voltou ao centro da disputa econômica de 2026 como um dos nomes usados pela direita para defender um programa neoliberal contra o desenvolvimentismo do governo Lula.
Vídeo atrapalha aceno de Flávio Bolsonaro ao mercado
O gesto de Eduardo Bolsonaro cria ruído na operação política do irmão. Enquanto Flávio tenta reconstruir pontes com investidores, banqueiros e gestores, Eduardo amplifica uma fala que acusa a Faria Lima de oportunismo eleitoral.
A tensão não é nova. A Fórum revelou que Flávio foi à Faria Lima após o desgaste provocado por áudio envolvendo Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Dias depois, a Fórum mostrou que um banqueiro se recusou a receber o senador e citou a crise com investidores.
Também pesa sobre Flávio a tentativa do PL de buscar uma “âncora” econômica para reduzir a resistência do mercado. A Fórum mostrou que o partido avalia nomes como Paulo Guedes e Roberto Campos Neto para dar credibilidade à candidatura do filho de Bolsonaro.
Nesse contexto, o vídeo de Sachsida funciona como um recado atravessado. O clã precisa da Faria Lima para viabilizar Flávio, mas parte do bolsonarismo ainda trata o setor financeiro como responsável por ter abandonado Bolsonaro em 2022.
Sachsida rejeita tese de risco democrático de Bolsonaro
Sachsida também nega, no vídeo, que Jair Bolsonaro tenha representado risco à democracia. “Que risco, cara? Respeitou tudo”, afirmou o ex-ministro.
A afirmação contrasta com a situação judicial do ex-presidente. O Supremo Tribunal Federal registra que Bolsonaro foi condenado na Ação Penal 2668 a 27 anos e três meses de prisão por crimes ligados à tentativa de golpe de Estado.
Para defender o legado do governo Bolsonaro, Sachsida cita a liberação de R$ 110 bilhões do FGTS, o fim do DPVAT, mudanças em cartórios e a dispensa de publicação de balanços em jornal para parte das empresas brasileiras.
Mas o núcleo político da fala não está na defesa da agenda econômica. Está na queixa contra a Faria Lima. Ao compartilhar o vídeo, Eduardo Bolsonaro expõe uma contradição que atravessa a pré-campanha de Flávio: a família tenta seduzir o mercado financeiro, mas segue cobrando dele a suposta traição que ajudou a enterrar o projeto de reeleição de Jair Bolsonaro.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/eduardo-bolsonaro-faria-lima/

