Moraes abre caminho para inelegibilidade de Eduardo Bolsonaro, que se compara a Dilma

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) reagiu com ataques ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após o avanço de investigações que podem levá-lo à inelegibilidade. Em publicação nas redes sociais, ele acusou o magistrado de perseguição política, afirmou ter tido contas bancárias bloqueadas e comparou sua situação à da ex-presidenta Dilma Rousseff.

Em publicação nas redes sociais nesta terça-feira (24), Eduardo disse que Moraes tenta “asfixiá-lo financeiramente” e comprometer o sustento de sua família. Também alegou que, caso seja condenado por improbidade administrativa, poderá ficar inelegível por oito anos — cenário que classificou como uma tentativa de retirá-lo da vida pública.

“A questão é clara: se eu fosse condenado por improbidade administrativa, ao contrário do que ocorreu com Dilma Rousseff, ficaria inelegível por 8 anos. Portanto, a intenção é evidente: retirar-me da vida política”, escreveu.

A reação ocorre em meio ao agravamento de sua situação jurídica e administrativa, com decisões recentes que ampliam o alcance das investigações contra ele.

https://x.com/BolsonaroSP/status/2036511346854969483

Moraes autoriza uso de provas e amplia pressão

Na segunda-feira (23), Alexandre de Moraes autorizou a Polícia Federal (PF) a utilizar provas de um inquérito em curso no STF em um processo administrativo disciplinar (PAD) contra Eduardo Bolsonaro.

A decisão permite o compartilhamento de elementos que podem reforçar a apuração sobre abandono de cargo, já que Eduardo é escrivão da PF desde 2010. Segundo o ministro, a medida é “razoável, adequada e pertinente”.

Na prática, o aval do STF fortalece o processo administrativo e amplia o risco de consequências mais severas, inclusive na esfera política.

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Processo na PF pode levar à demissão

O PAD foi instaurado após Eduardo não retornar ao trabalho na delegacia da PF em Angra dos Reis (RJ), para onde foi convocado depois de perder o mandato parlamentar em dezembro de 2025.

A PF investiga se houve ausência deliberada por mais de 30 dias consecutivos sem justificativa — o que pode caracterizar abandono de cargo, passível de demissão.

O ex-deputado foi formalmente citado no processo por edital, já que está nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025 e foi considerado em “lugar incerto e não sabido”. Ele tem 15 dias para apresentar defesa.

Risco de inelegibilidade cresce

Embora o processo administrativo trate diretamente da permanência de Eduardo na PF, o compartilhamento de provas com o STF pode ter desdobramentos mais amplos.

Ele também é investigado por improbidade administrativa e responde a inquérito por coação no curso do processo. Nesse caso, é acusado de atuar nos Estados Unidos para pressionar autoridades brasileiras às vésperas do julgamento da trama golpista, que resultou na condenação de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Uma eventual condenação por improbidade pode levar à suspensão de seus direitos políticos por até oito anos, cenário que colocaria em risco seu futuro eleitoral.

Bloqueio de contas e discurso de perseguição

Na mesma publicação, Eduardo afirmou que teve contas bancárias bloqueadas, assim como as de sua esposa. Moraes já havia determinado, em 2025, o bloqueio de bens e ativos financeiros do ex-deputado no âmbito das investigações sobre sua atuação no exterior.

Apesar disso, não ficou claro se a declaração mais recente se refere a uma nova decisão judicial ou à medida anterior.

O discurso de perseguição adotado por Eduardo ocorre enquanto ele permanece fora do país e é alvo de múltiplas frentes de investigação. A estratégia de comparação com Dilma Rousseff, por sua vez, desconsidera diferenças jurídicas entre os casos e configura uma tentativa de politizar o avanço dos processos.

Cerco jurídico e político se intensifica

Com investigações simultâneas no STF e na PF, a situação de Eduardo Bolsonaro se agrava. O avanço coordenado entre as esferas administrativa e judicial aumenta a probabilidade de sanções que vão desde a demissão do serviço público até a inelegibilidade.

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/eduardo-bolsonaro-inelegibilidade-moraes/