Erika Hilton aciona PGE contra Flávio Bolsonaro por suspeita de dinheiro dos EUA na campanha

A proximidade do clã Bolsonaro com o trumpismo nos Estados Unidos voltou ao centro da disputa eleitoral — desta vez com uma acusação que pode colocar a origem dos recursos da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) sob investigação.

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) anunciou nesta segunda-feira (14) que está acionando a Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) para pedir a apuração da suspeita de que a candidatura presidencial de Flávio esteja recebendo recursos provenientes dos Estados Unidos.

“Traidores da pátria?”, questionou Erika logo no início da publicação.

A suspeita envolve a Rockbridge Network, rede conservadora norte-americana fundada por J.D. Vance, atual vice-presidente dos Estados Unidos, e pelo empresário Chris Buskirk.

A acusação sobre um possível financiamento estrangeiro foi levantada pelo candidato à Presidência Renan Santos (Missão), que afirmou que a Rockbridge teria entrado na campanha de Flávio. Porém ainda não há comprovação pública de que recursos da organização tenham financiado a candidatura do senador.

Erika quer que a PGE investigue justamente se a aproximação política entre integrantes da campanha e pessoas ligadas à rede norte-americana ultrapassou esse terreno e envolveu dinheiro, serviços ou outras formas de apoio econômico.

https://x.com/ErikakHilton/status/2099626420955758633?s=20

Suspeita chega ao QG de Flávio

Um dos pontos que alimentam os questionamentos é a presença de pessoas ligadas à Rockbridge no entorno da estrutura eleitoral montada por Flávio em São Paulo.

Entre os nomes citados estão os empresários Tallis Gomes, fundador da G4 Educação, e Pedro Sang.

Tallis confirmou publicamente que integra a Rockbridge, mas nega ter captado ou intermediado recursos para a campanha de Flávio Bolsonaro.

Já Sang confirmou ter mantido contato com a organização norte-americana e também negou ter intermediado aportes financeiros para campanhas brasileiras.

Reportagens publicadas nos últimos dias apontam, porém, que Sang participou da montagem do QG de Flávio Bolsonaro em São Paulo e passou a acompanhar de perto a candidatura. O próprio empresário reconheceu a proximidade com a campanha, mas afirmou desconhecer qualquer financiamento da Rockbridge.

A presença de Sang na estrutura eleitoral não comprova, por si só, qualquer irregularidade. É justamente a natureza dessa relação — e principalmente se houve dinheiro ou apoio econômico estrangeiro envolvido — que Erika quer colocar sob a lupa das autoridades eleitorais.

“Não podemos aceitar que dinheiro de fora mande nas eleições daqui”

Ao anunciar a iniciativa, Erika partiu para o confronto e apontou a contradição entre o discurso nacionalista cultivado pelo bolsonarismo e a suspeita de participação de um grupo estrangeiro na eleição brasileira.

“Receber dinheiro de fora para financiar uma campanha eleitoral para a Presidência da República é um crime grave. E é uma traição sem precedentes à nossa pátria, que somente um filho de Jair Bolsonaro e irmão de Eduardo Bolsonaro seria capaz de cometer.”

A parlamentar também colocou diretamente Donald Trump e seu entorno político no centro da cobrança.

“Não podemos aceitar que dinheiro de fora mande nas eleições daqui.”

“E muito menos que os interesses de Donald Trump e sua turma ditem a campanha eleitoral, ou até mesmo um possível mandato, de um candidato à Presidência da República.”

Leia: Sem censura: Justiça mantém post de Erika Hilton com críticas à prefeita bolsonarista

Trumpismo no entorno da campanha

A acusação ganha peso político porque não aparece em um vácuo.

Nos últimos anos, integrantes da família Bolsonaro aprofundaram relações com a direita norte-americana e fizeram da proximidade com Donald Trump e seus aliados uma das principais pontes internacionais do bolsonarismo.

Agora, com Flávio na disputa pelo Palácio do Planalto, a pergunta levantada por Erika é outra: essa relação permaneceu apenas no terreno político e ideológico ou chegou também ao financiamento eleitoral?

A legislação eleitoral brasileira proíbe o recebimento direto ou indireto de recursos de origem estrangeira por partidos e candidatos, incluindo não apenas dinheiro, mas também bens e serviços estimáveis em dinheiro.

Por enquanto, não há comprovação pública de que a Rockbridge tenha financiado a campanha de Flávio Bolsonaro. Os empresários apontados como possíveis intermediários negam repasses, e a acusação ainda depende de investigação.

Ao levar o episódio à PGE, Erika transforma a suspeita em uma cobrança institucional e aumenta a pressão para que seja esclarecida a relação entre integrantes da campanha de Flávio e pessoas ligadas à organização fundada por J.D. Vance.

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/erika-hilton-pge-flavio-bolsonaro/