Após protagonizar uma intensa campanha contra a PEC do fim da escala 6×1, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) postou uma foto na tarde desta sexta-feira (12), em pleno dia útil e horário de expediente, todo sorridente, para contar que estava realizando um sonho: ir aos EUA para ver a estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, em Nova York, contra o Marrocos.
Porém, o fato de Nikolas Ferreira defender trabalho até a exaustão para a maioria dos brasileiros e curtir a vida na escala 3×4 não passou despercebido pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP), que o criticou e afirmou que a viagem dele aos EUA, em pleno dia útil, está sendo bancada pelos trabalhadores que atuam na escala 6×1:
“Não são nem 17h e Nikolas Ferreira, pago com o dinheiro do povo, já está num voo com influencers como o Luva de Pedreiro para ir ver a Copa nos EUA.
Enquanto isso, 15 milhões de brasileiros que vivem a escala 6×1 ainda vão trabalhar amanhã ou no domingo para sustentar o sistema que sustenta Nikolas.”
https://x.com/ErikakHilton/status/2065517351991136426
Nikolas Ferreira, contrário ao fim da 6×1, viaja aos EUA em dia útil para ver a Seleção
O deputado bolsonarista Nikolas Ferreira (PL-MG) fez campanha ostensiva contra a aprovação da PEC que estabelece o fim da escala 6×1. Durante a tramitação da proposta, o parlamentar mineiro afirmou que se tratava de uma “medida populista” e que “não existe almoço grátis”.
Em outros momentos, Nikolas Ferreira perdeu a linha e fez terrorismo econômico: “Existe um meio de abrir os olhos das pessoas que é apoiar não somente a 5×2, mas apoiar a 4×3, que seja vigorada amanhã e que a quebradeira comece antes das eleições […] a gente quer mostrar que, quando der merda, a culpa é deles”.
Mas, se Nikolas Ferreira é um ferrenho defensor da escala 6×1 para a classe trabalhadora, ele passa bem longe desse ritmo de trabalho. Nesta sexta-feira (12), em pleno dia útil, o parlamentar postou uma foto com sua esposa dentro de um avião, afirmando que iriam realizar um sonho: assistir ao jogo de estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, em Nova York, no MetLife Stadium, contra o Marrocos.
Na legenda da foto: “Indo ali realizar um sonho”
Fim da escala 6×1: PEC é aprovada em segunda votação na Câmara e segue para o Senado
Foi aprovada nesta quarta-feira (27), em votação de segundo turno, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que estabelece o fim da escala 6×1. Com 480 votos, foram 461 favoráveis e 19 contrários. Agora, a matéria segue para o Senado.
O texto aprovado reduz a jornada máxima de trabalho no Brasil de 44 para 40 horas semanais, garante dois dias de repouso semanal remunerado e impede qualquer redução salarial.
Fim da escala 6×1: Confira abaixo os principais pontos da PEC
- Fim da escala 6×1 como regra geral: o texto garante dois dias de repouso semanal remunerado.
- Dois dias de descanso entram antes da redução completa da jornada: o direito passa a valer 60 dias após a publicação da emenda.
- Jornada será reduzida de forma gradual: primeiro cai de 44 para 42 horas semanais; depois, 12 meses mais tarde, chega a 40 horas.
- A jornada máxima diária continua em oito horas.
- Não poderá haver redução salarial: o parecer proíbe corte nominal, proporcional ou indireto.
- Pisos salariais também ficam protegidos.
- A escala 5×2 passa a ser o modelo de referência: cinco dias de trabalho e dois dias de descanso.
- A proposta não adota a escala 4×3: o relator considera o modelo ideal, mas afirma que o Brasil ainda não está preparado para aplicá-lo amplamente.
- Acordos e convenções coletivas continuam permitidos: sindicatos e empresas poderão ajustar regimes específicos, desde que respeitem os novos direitos.
- Cláusulas coletivas incompatíveis com a nova regra perderão efeito após 60 dias.
- O parecer rejeita prazo de dez anos para entrada em vigor: o relator afirma que isso esvaziaria o direito dos trabalhadores.
- Microempresas, empresas de pequeno porte e MEIs poderão ter medidas de transição, mas condicionadas à manutenção dos empregos.
- Contratos de trabalho já existentes serão alcançados pela nova regra.
- Empregados hipersuficientes terão regra própria: trabalhadores com ensino superior e renda elevada poderão ficar fora do controle de jornada, salvo previsão em acordo coletivo ou decisão do empregador. Essa exceção não vale para empregados públicos.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/erika-hilton-sobre-nikolas-ferreira-vai-a-copa-a-custa-de-quem-trabalha-na-6×1/

