Ex-presidente do BRB devia R$ 1,78 milhão ao banco enquanto negociava propina de R$ 146 milhões com dono do Master

Preso na quarta fase da Operação Compliance Zero, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa é alvo de uma cobrança judicial de R$ 1,78 milhão movida pela própria instituição financeira. O processo tramita no mesmo período em que a Polícia Federal (PF) apura se ele teria recebido R$ 146 milhões em imóveis de luxo. Segundo os investigadores, há suspeita de que os bens seriam uma contrapartida ligada a negócios de interesse do empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master. A informação sobre o débito bancário foi publicada nesta sexta-feira (17) pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo.

Nos autos do processo cível, o BRB cobra dois contratos de crédito que estariam em aberto, referentes a empréstimos nas modalidades pessoal e consignado. A instituição solicitou à Justiça medidas como o bloqueio de bens do ex-dirigente, sob o argumento de evitar a dissipação do patrimônio e garantir o ressarcimento aos cofres do banco.

Suspeitas sobre carteiras de crédito

De acordo com o inquérito encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), a PF sustenta a hipótese de que Costa teria atuado para contornar pareceres técnicos de governança com o objetivo de viabilizar a aquisição de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito do Banco Master por parte do BRB. Ao expedir a ordem de prisão preventiva, cumprida na quinta-feira (16), o ministro André Mendonça registrou que os elementos colhidos indicariam uma suposta “adesão consciente” às práticas sob investigação.

A linha investigativa da PF aponta que o suposto acordo envolveria o repasse de seis propriedades de alto padrão localizadas nos bairros do Itaim Bibi e Vila Olímpia, em São Paulo. Relatórios da operação transcrevem diálogos interceptados em que Costa supostamente cobra Vorcaro pela entrega dos bens. Nas mensagens reunidas pela polícia, o empresário teria respondido que deu “carta branca” para a realização da transferência.

Apuração sobre lavagem de capitais

A operação também apura a suposta participação do advogado Daniel Monteiro, preso preventivamente na mesma etapa. Conforme as informações do STF, os investigadores suspeitam que ele teria estruturado empresas e utilizado fundos de investimento com o objetivo de ocultar a titularidade das propriedades. O esquema serviria para dar aparência de legalidade às transferências imobiliárias que teriam o ex-presidente do BRB como beneficiário final.

Como a Revista Fórum tem acompanhado, as recentes fases da Compliance Zero têm como foco dimensionar eventuais impactos financeiros na liquidez do banco público e mapear a suposta rede de ocultação de valores operada no mercado. Nos bastidores, informações apontam que Costa, sem apoio no governo do Distrito Federal após o avanço das investigações, teria iniciado tratativas preliminares em busca de um possível acordo de colaboração premiada com a PF e a Procuradoria-Geral da República (PGR).

A defesa de Paulo Henrique Costa classificou a decretação da prisão preventiva como desnecessária, negou irregularidades e informou que recorrerá da decisão. Já a defesa de Daniel Monteiro declarou que a atuação do advogado se deu de forma “estritamente técnica” e dentro da legalidade. O Banco Master não comentou as dívidas em execução. O espaço permanece aberto para o posicionamento de todos os citados.

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/ex-presidente-do-brb-divida/