Falsa colinha eleitoral compartilhada por uma agente da Polícia Civil de São Paulo troca os números de quatro candidatos e coloca, no lugar deles, os números de seus adversários nas eleições deste domingo (4). Na peça, apresentada como “Minha colinha para o dia 4”, Lula (PT) aparece com o número 22 — que pertence a Flávio Bolsonaro (PL).
A montagem segue o mesmo padrão nas outras três escolhas. Fernando Haddad (PT) aparece com o número 10, usado por Tarcísio de Freitas (Republicanos) na disputa pelo governo de São Paulo. Para o Senado, Marina Silva (Rede) é apresentada como 111, número de Guilherme Derrite (PP), enquanto Simone Tebet (PSB) aparece como 222, número de André do Prado (PL).
Os números oficiais são outros. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula concorre à Presidência com 13 e Flávio Bolsonaro com 22. Haddad disputa o governo paulista com 13, enquanto Tarcísio usa 10. No Senado, Marina é 180, Simone Tebet 400, Derrite 111 e André do Prado 222.
Postagem da Policial civil com colinha com número invertido de candidatos.
Na prática, um eleitor que utilizasse a imagem literalmente como colinha votaria em quatro candidatos diferentes daqueles indicados pelos nomes da própria peça.
O episódio ocorre a dois dias do primeiro turno e em meio à circulação de informações falsas sobre a votação. Nesta sexta-feira, a Fórum mostrou uma fake news espalhada pelo WhatsApp que dizia falsamente que eleitores de Lula não deveriam votar neste domingo.
Falsa colinha eleitoral foi enviada a amigos
A Fórum teve acesso a uma captura em que a montagem aparece associada ao nome de Márcia Matsumoto. Procurada pela reportagem e questionada sobre a publicação, Márcia Latorre Rodrigues da Silva Matsumoto não negou ter compartilhado o conteúdo.
Inicialmente, afirmou que sua manifestação deveria ter sido compartilhada “somente com meus amigos”. Depois, ao voltar a falar sobre a circulação da imagem, disse que ela teria sido enviada apenas pelo WhatsApp.
“Na verdade nem era para aparecer no Instagram. Era só para os amigos do WhatsApp”, afirmou.
Mais tarde, Matsumoto apresentou o conteúdo como uma brincadeira. Disse que a maioria de seus amigos é de direita, que costuma compartilhar mensagens para fazê-los rir e que não tinha a intenção de provocar brigas ou polêmicas.
“Eu cresci nos anos 80. Outra geração. Acostumada com diversidade de opinião”, disse à Fórum.
A reportagem não conseguiu determinar quantas pessoas receberam a montagem nem identificar quem produziu originalmente a peça.
O que diz a legislação eleitoral
O artigo 323 do Código Eleitoral prevê pena para quem divulga, durante a campanha, fatos que sabe serem inverídicos em relação a partidos ou candidatos e que sejam capazes de exercer influência sobre o eleitorado.
A pena prevista é de dois meses a um ano de detenção ou de 120 a 150 dias-multa. O Código também prevê aumento de um terço até a metade quando o crime é cometido por meio da internet ou de rede social.
Quem é Márcia Matsumoto
Publicações oficiais do Estado de São Paulo identificam Márcia Latorre Rodrigues da Silva Matsumoto como agente de Telecomunicações Policial.
Em agosto de 2022, o Diário Oficial registrou que ela era lotada na Delegacia Geral de Polícia, classificada no Deinter 2 – Campinas e estava em exercício na Delegacia Seccional de Polícia de Bragança Paulista. Outro ato publicado em março de 2024 pela própria Seccional voltou a identificá-la como agente de Telecomunicações Policial de 1ª classe.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/falsa-colinha-eleitoral-lula-22/


