Retomado por Lula, Farmácia Popular tem 89% de aprovação, diz Atlas; programa corre risco com Flávio

O Farmácia Popular é a medida do governo Lula mais aprovada pelos brasileiros, segundo a nova rodada do Latam Pulse, levantamento da AtlasIntel em parceria com a Bloomberg, divulgado nesta quarta-feira (14).

A gratuidade de todos os medicamentos e itens distribuídos pelo programa é considerada um acerto por 89% dos entrevistados. Apenas 6% avaliam a medida como erro e 5% não souberam responder. É, com folga, o melhor resultado entre as ações do governo submetidas à avaliação dos participantes da pesquisa.

O dado ganha peso político na reta final da eleição presidencial. Isso porque a continuidade do Farmácia Popular entrou no debate sobre o “tesouraço” de aproximadamente R$ 200 bilhões nas despesas públicas defendido pela equipe econômica de Flávio Bolsonaro (PL).

A coordenadora econômica da campanha, Daniella Marques, afirma que um eventual governo Flávio preservará os programas sociais e concentrará os cortes no que chama de “regalias de Brasília”. Até agora, porém, a campanha não detalhou como pretende alcançar uma economia dessa dimensão apenas com redução de estruturas administrativas, assessorias, veículos e outros gastos do tipo.

Corte de R$ 200 bilhões acende alerta sobre programas sociais

A dificuldade está no próprio desenho do Orçamento. Segundo dados citados em análise sobre o plano econômico de Flávio, 92% das despesas primárias da União em 2026 são obrigatórias, restando apenas 8% como gastos discricionários. Economistas ouvidos sobre a proposta têm apontado a dificuldade de promover um corte da ordem de R$ 200 bilhões sem mudanças mais profundas nas despesas públicas.

É nesse contexto que Lula passou a alertar que políticas como Farmácia Popular, Pé-de-Meia, Minha Casa Minha Vida, merenda escolar e Gás do Povo poderiam entrar na conta de um ajuste dessa magnitude.

“Quando ele fala em cortar R$ 200 bilhões, você sabe do que eles vão cortar? Vão cortar no Pé-de-Meia, no Farmácia Popular, no Minha Casa Minha Vida, Merenda Escolar, no Gás do Povo”, afirmou o presidente.

A campanha de Flávio nega que pretenda acabar com o Farmácia Popular ou reduzir programas sociais. O problema ainda sem resposta é de onde sairão os R$ 200 bilhões prometidos pela equipe econômica caso aposentadorias, benefícios e políticas sociais sejam efetivamente preservados.

O histórico do governo Jair Bolsonaro também alimenta a preocupação. No projeto de Orçamento para 2023 enviado ao Congresso em 2022, a gestão Bolsonaro propôs uma redução de 59% nos recursos destinados ao Farmácia Popular, de cerca de R$ 2 bilhões para aproximadamente R$ 804 milhões.

Farmácia Popular não é o único programa de Lula com forte aprovação

O levantamento Atlas/Bloomberg mostra ainda que a avaliação positiva não está restrita ao Farmácia Popular.

A isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil é considerada um acerto por 84% dos entrevistados. O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia recebe avaliação positiva de 69%, enquanto 67% aprovam o Desenrola, programa de renegociação de dívidas.

Também aparecem com saldo amplamente favorável a revogação da chamada “taxa das blusinhas”, considerada acertada por 62%; o Pé-de-Meia, aprovado por 61%; e o Gás do Povo, apontado como acerto por 60%. A proibição das bets recebe aprovação de 56%.

O conjunto dos resultados mostra que algumas das principais políticas econômicas e sociais adotadas durante o governo Lula chegam ao segundo turno com níveis expressivos de aprovação popular, justamente no momento em que o adversário apresenta como uma de suas principais propostas econômicas um forte enxugamento das despesas federais.

No caso do Farmácia Popular, a distância é particularmente expressiva: com 89% de aprovação e saldo positivo de 83 pontos percentuais, o programa ocupa o topo do ranking de acertos do governo Lula medido pela AtlasIntel e Bloomberg.

A pesquisa ouviu 5.026 brasileiros adultos entre 3 e 8 de outubro, por recrutamento digital aleatório. A margem de erro é de um ponto percentual, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o número BR-03663/2026.

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/farmacia-popular-89-aprovacao/