Paulo Figueiredo saiu em defesa de Ricardo Magro, controlador do grupo Refit, em publicação no X em que atacou a fala de Luiz Inácio Lula da Silva sobre o empresário e afirmou que o caso se resume a uma discussão tributária. No texto, Figueiredo disse que não existe mandado de prisão contra Magro, que ele não é réu em processo penal e que não há difusão vermelha da Interpol.
A postagem foi feita após Lula citar a “operação Refit” em entrevista na Bahia, não é a primeira vez que Lula fala sobre o tema, em discurso no Planalto, em 15 de janeiro de 2026. Segundo a transcrição oficial da Presidência, o presidente mencionou o bloqueio de cinco navios com 250 milhões de litros de gasolina contrabandeada ao defender o avanço do Estado sobre o “andar de cima da corrupção” e do crime organizado.
A versão apresentada por Figueiredo contrasta com o material já publicado pela Fórum sobre a Refit e Ricardo Magro. Em reportagem de março, a revista reuniu informações sobre o grupo e mostrou como a empresa passou ao centro de apurações que conectam operadores do mercado financeiro, figuras do centrão e a Operação Carbono Oculto.
Fórum já havia reunido histórico da Refit
Em outra frente, a Fórum informou que a Refit teria usado 15 offshores e fundos nos Estados Unidos para lavar R$ 1 bilhão com imóveis, segundo apuração baseada em dados atribuídos à Receita Federal. A reportagem apontou a existência de uma estrutura societária em Delaware e a movimentação de recursos no mercado imobiliário norte-americano.
A revista também detalhou, em outra reportagem, o elo entre Banco Master, Refit e a Operação Carbono Oculto. O texto descreve uma rede que cruza combustíveis, movimentações bilionárias, operadores financeiros e personagens com trânsito no mundo político e empresarial.
Em março, a Fórum publicou ainda que Fernando Haddad relacionou o caso Refit ao fluxo de combustíveis, drogas e tráfico de armas entre Estados Unidos e Brasil. A declaração reforçou a dimensão política e institucional dada pelo governo ao caso.
Defesa nas redes ignora apurações já publicadas
Ao sustentar que Magro apenas “deixou de pagar impostos”, Figueiredo deixa de enfrentar o conteúdo das reportagens já publicadas sobre o grupo. O nome do empresário voltou ao centro do debate não por causa de um embate isolado nas redes, mas porque a Refit já vinha sendo associada, em apurações jornalísticas e em falas do governo, a um esquema de grande porte no setor de combustíveis.
A própria Fórum já havia mostrado, em reportagem sobre declaração de Lula, que o Planalto passou a tratar esse tipo de operação como parte de uma ofensiva contra os chamados “magnatas da corrupção”. Foi esse histórico, já documentado, que a publicação de Paulo Figueiredo tentou reduzir a uma tese de contencioso tributário.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/figueiredo-eduardo-bolsonaro-defende-ricardo-magro-refit/


