Flávio apoiou amigo investigado por lavagem de dinheiro para fiscalizar juízes no CNJ

O senador Flávio Bolsonaro (PL) apoiou, em 2023, a indicação do advogado Willer Tomaz de Souza, atualmente investigado pela Polícia Federal, para integrar o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão responsável por fiscalizar a atuação administrativa e disciplinar dos magistrados brasileiros. A informação foi revelada nesta terça-feira (20) pela jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, com base em relatos de dois integrantes de tribunais superiores.

Amigo pessoal do candidato à Presidência, Willer contava também com a simpatia da bancada bolsonarista no Congresso. A articulação envolvia uma vaga destinada à indicação da Câmara dos Deputados.

A movimentação, entretanto, encontrou resistência nos bastidores do Judiciário. O histórico do advogado, que já havia enfrentado acusações de corrupção, provocou questionamentos sobre sua possível atuação em um órgão encarregado de fiscalizar juízes.

Prisão e suspeita de pagamento de propina

A rejeição ao nome de Willer tinha relação com um episódio de 2017, quando ele foi preso após acusações surgidas na delação do empresário Joesley Batista, da JBS.

Na ocasião, o advogado foi acusado de pagar propina a um procurador para obter informações privilegiadas relacionadas à empresa, da qual era defensor.

Willer sempre negou as acusações.

Embora seu nome já circulasse para o CNJ desde 2022, a repercussão negativa acabou levando o advogado a abandonar a disputa pela vaga.

Novas investigações alcançam Flávio

A antiga articulação ganhou relevância depois que a Polícia Federal encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido de investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio e Willer.

Os investigadores examinam vínculos financeiros e pessoais entre os dois, incluindo registros de viagens e informações bancárias.

O advogado também é investigado por suspeitas relacionadas às fraudes no INSS e a operações no setor de apostas.

Uma nota técnica do Ministério da Fazenda, divulgada nesta terça-feira, aponta que Willer movimentou aproximadamente R$ 5 bilhões em apostas online em 2025.

Segundo o documento, ele foi o maior apostador do país naquele ano e realizou saques superiores a R$ 200 milhões. Parte expressiva dos valores corresponde a dinheiro movimentado repetidamente nas plataformas, incluindo ganhos e novas apostas.

A Secretaria de Prêmios e Apostas também apontou falhas nos mecanismos de fiscalização da Blaze, plataforma utilizada pelo advogado.

Willer nega irregularidades e sustenta a origem lícita dos recursos. Flávio, por sua vez, contesta qualquer participação em operações financeiras ilegais.

A indicação ao CNJ não chegou a ser formalizada, e Willer nunca assumiu a função no conselh

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/flavio-amigo-lavagem-de-dinheiro-cnj/