Flávio Bolsonaro e PL avançam no Nordeste e reduzem vantagem de Lula na região

O Nordeste continuou sendo o principal reduto eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno de 2026, mas um dado ajuda a explicar por que a vantagem construída na região já não foi suficiente para compensar as perdas do petista no restante do país: Flávio Bolsonaro e o PL cresceram de forma expressiva entre os eleitores nordestinos.

Como mostrou a análise do cientista político Marco Antonio Faganello, do Centro de Política e Economia do Setor Público (Cepesp), da Fundação Getulio Vargas (FGV), Lula praticamente manteve na região o mesmo volume de votos obtido quatro anos antes. Passou de 21,7 milhões de votos em 2022 para 21,5 milhões em 2026, uma redução de cerca de 259 mil votos.

O PL, por outro lado, avançou 1,6 milhão de votos no Nordeste na comparação entre a votação de Jair Bolsonaro, em 2022, e a de Flávio Bolsonaro, em 2026.

O movimento fez a vantagem de Lula sobre o partido na região cair de 13 milhões de votos para 11,1 milhões.

Nordeste concentrou maior fatia do crescimento do PL

O dado chama atenção porque o Nordeste foi a região que mais contribuiu para o avanço nacional do PL.

Segundo Faganello, o partido ganhou cerca de 5 milhões de votos no país entre as duas eleições. Desse crescimento, 32% vieram do Nordeste, proporção superior à registrada no Sudeste, que respondeu por 29%, e no Sul, com 19%.

Ou seja, Lula não sofreu uma grande debandada de votos no Nordeste. O que ocorreu foi um crescimento do adversário dentro de uma região em que o petista continuou mantendo votação elevada.

Esse movimento ajuda a complementar o dado principal da análise. Nela, Faganello mostrou que Lula perdeu votos em 98% dos municípios analisados, com recuo mais forte no interior, nas cidades pequenas, no Sul, no Centro-Oeste e nos municípios onde a agropecuária representa parcela maior da economia.

No Nordeste, a queda proporcional de Lula foi menor do que em outras regiões. Ainda assim, o avanço do PL reduziu a margem petista.

Vantagem no Nordeste já não cobre déficit no restante do país

A mudança ganha peso quando comparada com o desempenho de Lula fora da região.

Segundo a análise, a desvantagem do petista no restante do país praticamente dobrou entre as duas eleições: passou de 6,8 milhões de votos em 2022 para 13,3 milhões em 2026.

Com isso, os 11,1 milhões de votos de vantagem obtidos por Lula no Nordeste já não foram suficientes para compensar o déficit acumulado nas demais regiões.

O dado ajuda a explicar por que Lula terminou o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro mesmo preservando grande parte de sua força eleitoral nordestina.

A leitura também mostra que o desafio petista para o segundo turno não passa apenas por recuperar votos onde houve queda acentuada. Também envolve conter o crescimento do bolsonarismo em territórios onde Lula continua sendo majoritário.

Dados são preliminares

A análise de Faganello utiliza resultados preliminares do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e dados do IBGE.

O pesquisador ressalta que a comparação é feita entre municípios e eleições e não permite afirmar como cada eleitor individualmente mudou seu voto.

Os números, porém, mostram uma mudança importante na geografia eleitoral: Lula preservou grande parte de sua votação no Nordeste, mas Flávio Bolsonaro e o PL avançaram justamente no território que historicamente oferece ao petista sua maior margem sobre a direita.

Confira abaixo a íntegra da análise: 

https://x.com/marcofaganello/status/2106989694500372912

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/flavio-bolsonaro-avanca-nordeste/