O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tenta segurar sua ponte com a Faria Lima em meio à crise aberta pela revelação de áudios em que pediu dinheiro a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, supostamente para financiar o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. O pré-candidato mantém uma agenda com empresários em São Paulo nesta sexta-feira (15) e nos próximos dias, mesmo após o caso atingir o Senado, o mercado financeiro e a imprensa internacional.
A movimentação ocorre no pior momento para a imagem econômica de Flávio. A Fórum mostrou que a BlackRock vê Lula reeleito e ignora o nome de Flávio Bolsonaro em cenários apresentados a investidores em Nova York. A leitura reforça um dado incômodo para o bolsonarismo: fora da bolha doméstica, o senador ainda não aparece como aposta segura para o capital estrangeiro.
Flávio Bolsonaro tenta recompor imagem na Faria Lima
Nesta sexta, Flávio participa em Campinas do lançamento da pré-candidatura do deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP) ao Senado. No sábado (16), a agenda deve se repetir em Sorocaba. Nos dois atos, a presença do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) ajuda a dar verniz institucional à ofensiva paulista.
Depois do evento em Campinas, o senador tem previsto um jantar com empresários da região. No dia 20, deve voltar à capital paulista para um almoço com nomes do mercado financeiro na Faria Lima. À noite, a agenda inclui representantes do turismo.
O roteiro ganhou outro significado depois dos áudios. A Faria Lima, antes tratada como vitrine de moderação, virou cenário de contenção de danos. Flávio tenta se vender como interlocutor previsível do capital enquanto explica por que buscou milhões junto a um banqueiro associado ao escândalo do Banco Master.
Áudio com Vorcaro atinge o discurso de Flávio Bolsonaro
A crise nasceu da revelação de mensagens e gravações em que Flávio cobra Daniel Vorcaro por recursos prometidos ao filme sobre Jair Bolsonaro. O senador, que havia negado vínculo pessoal com o banqueiro, passou a dizer que conheceu Vorcaro em dezembro de 2024 e que o caso envolvia apenas “patrocínio privado”.
A defesa tenta reduzir o episódio a uma operação privada. Mas o fato político é maior. O dinheiro era buscado por um senador em pré-campanha para uma cinebiografia do próprio pai, ex-líder máximo do campo político que agora tenta herdar.
A Fórum mostrou que Flávio Bolsonaro negociou R$ 134 milhões com Daniel Vorcaro, segundo o Intercept. A cifra jogou luz sobre a dimensão do projeto e abriu uma pergunta que a defesa do senador ainda não respondeu de forma satisfatória: qual era a finalidade real de um orçamento milionário para uma peça audiovisual sobre Jair Bolsonaro.
The Economist vê ameaça à candidatura de Flávio Bolsonaro
A crise também atravessou fronteiras. A revista britânica The Economist afirmou que o vazamento ameaça a candidatura de Flávio Bolsonaro e destacou que mensagens de texto e áudio mostram uma conexão próxima entre o senador e Daniel Vorcaro. A leitura externa é relevante porque dialoga com a preocupação de investidores estrangeiros: o candidato que tenta se apresentar como alternativa pró-mercado aparece agora vinculado a um banqueiro envolvido em diversos casos de corrupção e no centro de uma crise bancária.
A Reuters também registrou o impacto do caso nos mercados. Segundo a agência, o real caiu mais de 2% e o Ibovespa fechou em baixa de 1,8% após a reportagem do Intercept sobre a ligação entre Flávio e Vorcaro. A reação mostrou que o episódio não ficou restrito à política interna e alcançou a economia real.
Produtora nega dinheiro e aumenta pressão
Outro ponto enfraquece a versão do senador. A produtora de “Dark Horse” negou ter recebido dinheiro de Daniel Vorcaro ou do Banco Master. A Fórum mostrou que a produtora desmentiu Flávio Bolsonaro e afirmou não ter recebido recursos do banqueiro.
A negativa muda o eixo da crise. Se o dinheiro foi pedido para o filme, mas a produtora diz não ter recebido recursos, a pergunta deixa de ser apenas se havia “patrocínio privado”. Passa a ser também sobre destino, finalidade e eventual uso político da operação.
No Senado, o caso já provocou cobrança de explicações. Governistas afirmam que os áudios indicam proximidade entre o senador e o banqueiro. Aliados do PL sustentam que pedido de patrocínio não configura corrupção.
É nesse ambiente que Flávio desembarca na Faria Lima. O problema é que a imagem que ele tenta projetar não combina com o material revelado. De um lado, o pré-candidato busca posar como ponte estável entre o bolsonarismo e o capital. De outro, aparece cobrando recursos milionários de um banqueiro que virou símbolo de risco político, financeiro e reputacional.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/flavio-bolsonaro-faria-lima/

