Flávio Bolsonaro grava com influenciador réu por fornecer insumo para PCC produzir cocaína e crack

Enquanto propaga a narrativa de apoio a Donald Trump por classificar facções criminosas como organizações terroristas, Flávio Bolsonaro (PL) apareceu em um vídeo dentro de uma academia para anunciar a entrevista ao canal do influenciador fitness Renato Cariani, réu na Justiça por associação ao tráfico e elo com o Primeiro Comanda da Capital, o PCC.

Segundo investigação da Polícia Federal, que indiciou o influenciador, Cariani, Fabio Spinola Mota e Roseli Dorth teriam usado a Anidrol Produtos para Laboratórios Ltda para desviar cerca de 12 toneladas de acetona, ácido clorídrico, cloridrato de lidocaína, éter etílico, fenacetina e manitol para produção de pasta base de cocaína em pó e pedras de crack pelo PCC.

No vídeo, Flávio Bolsonaro aparece ao lado de Cariani e Júlio Balestrin, que dividem a bancada que faz entrevistas com candidatos da direita. Antes do senador, a dupla entrevistou Renan Santos, candidato do Missão, partido do Movimento Brasil Livre (MBL).

O filho “01” de Jair Bolsonaro diz que teve duas lesões, no joelho e no ombro, mas estaria “100% zerado”. E recebe do influenciador o apelido de “inquebrável”.

https://x.com/fabio_miller77/status/2077837924536860766

Réu

Em outubro de 2024, a Justiça de São Paulo acatou a denúncia do Ministério Público para que Renato Cariani fosse considerado réu por tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro.

De acordo com as investigações, a Anidrol Produtos para Laboratórios, empresa que Cariani é sócio ao lado de Roseli Dorth – outra ré do processo – fraudou notas fiscais para oferecer os insumos de produção de drogas ao crime organizado.

Além de Dorth e Cariani, outras duas pessoas também são rés no processo. O esquema funcionou entre 2014 e 2020, e até notas fiscais de vendas para a gigante farmacêutica AstraZeneca foram fraudadas para justificar a atividade criminosa perante a burocracia do Estado. Mas a organização criminosa do bolsonarista Cariani não sabia que seria desmascarada justamente por conta dessas fraudes.

As notas chamaram a atenção dos investigadores que entraram em contato com a AstraZeneca. A empresa, por sua vez, negou as transações com a Anidrol. A partir daí as suspeitas de fraude ganharam força e a investigação identificou os “laranjas” que tocavam a operação criminosa.

Ao todo, foram apontada mais de 60 transações entre a empresa de Cariani e os traficantes que compravam os insumos. As defesas dos empresários ainda não se pronunciaram publicamente.

 

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/flavio-bolsonaro-influenciador-pcc-cocaina-crack/