Em um evento que misturou pregação religiosa e ataques contra Lula e funk com sertanejo neste sábado (27) em Goiás, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez uma declaração que mostra a preocupação diante de um possível naufrágio entre mulheres e evangélicos nas pesquisas de intenção de votos após o vídeo-bomba da madrasta, Michelle Bolsonaro (PL).
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Dedicando-se integralmente à pré-campanha, o filho “01” de Jair Bolsonaro cumpriu agenda em Goiânia para lançamento da chapa “puro-sangue” Wilder Moraes (PL) e Ana Paula Rezende (PL) ao governo do Estado.
Em seu discurso no evento, Flávio mirou a vice de Moraes para mostrar, quase em tom de desespero, sua preocupação com o eleitorado feminino e evangélico, que foi alvo da meticulosa produção de Michelle Bolsonaro no vídeo em que desnuda o lado machista e autoritário do enteado ao revelar nuances da negociata com Ciro Gomes (PSDB) no Ceará.
“Wilder é uma pessoa privilegiada de ter ao seu lado uma mulher tão qualificada, como a Ana Paula”, afirmou ao candidato ao governo, antes de mirar a vice.
“Eu peço a Deus, Ana, que eu também tenha o privilégio de ter uma vice tão qualificada como você, tão disposta a colaborar com o futuro do país como você está disposta a colaborar com o futuro de Goiás”, emendou no discurso, focando nos dois alvos.
Flávio ainda tentou minimizar a guerra com a madrasta, classificada por ele como “pequenas diferenças”.
“Muito importante todos nós, sem exceção, estarmos cada vez mais unidos, deixarmos nossas pequenas diferenças de lado. Porque muitas vezes o caminho que nós escolhemos são diferentes, mas para chegar no mesmo destino, para alcançar o mesmo objetivo”, afirmou.
Bençãos
Antes do ato, Flávio participou de um café da manhã com pastores evangélicos da Igreja Fonte de Vida, onde recebeu bençãos, repetindo gestos do pai, do Apóstolo César Augusto.
“Como Igreja, é importante permanecermos unidos em oração, intercedendo pelo futuro da nossa nação e pedindo a Deus sabedoria, direção e discernimento para todos aqueles que exercem ou desejam exercer funções de liderança em nosso país. Que a vontade do Senhor prevaleça e que o Brasil seja abençoado”, escreveu o pastor goiano com foto da cena em seu perfil no Instagram.
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Na benção, Flávio foi tratado por César Augusto, que falou sobre “inimigos que vier contra ti”. “Não temas, não temas”.
Mulheres e evangélicos
Recortes inéditos da última pesquisa Quaest, divulgados neste domingo (28) pelo jornal O Globo, revelam que o governo Lula tem aprovação da maioria dos eleitores independentes, que não se identificam com o presidente e nem com Flávio Bolsonaro (PL) e representam cerca de 1 em cada 3 brasileiros que irão às urnas em outubro. Um outro dado chama a atenção e explica o desespero do candidato de ultradireita com o voto das mulheres após víde-bomba da madrasta, Michelle Bolsonaro (PL).
Segundo a pesquisa Quaest, que foi a campo entre 5 e 8 de junho, a aprovação do governo Lula explodiu entre os “não polarizados” após a revelação do elo entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, pivô do caso Master.
Em maio, 45% diziam aprovar o governo, mesmo índice daqueles que desaprovavam. Já em junho, 51% dizem aprovar, enquanto a desaprovação caiu para 40%. Outros 9% não souberam dizer.
O dado é extremamente significativo por se dar em uma parcela do eleitorado em disputa e vai definir as eleições de outubro.
Segundo a Quaest, 27% dos eleitores de classificam como “nem antipetista, nem antibolsonarista” – os chamados “nem, nem”. Ou seja, praticamente 1 em cada 3 brasileiros ainda fazem parte desse nicho mais volátil do eleitorado, que oscila muito diante da conjuntura política e dos noticiários sobre os candidatos.
A pesquisa mostra ainda que outro 1/3 do eleitorado – 31% – se diz antibolsonarista. O índice é dois pontos percentuais maior que os 29% que afirmam ser “antipetista”. Outros 10% se dizem “antipetista e antibolsonarista” e 3% não souberam se posicionar.
A pesquisa ainda explica o desespero de Flávio Bolsonaro com o vídeo da madrasta, Michelle, que foi meticulosamente produzido para atingir dois públicos essenciais para o enteado: os evangélicos e as mulheres.
Segundo a Quaest, 35% das mulheres dizem ser “antibolsonaristas”. Outros 28% afirmam ser independentes e 25% “antipetistas”. Outras 9% dizem ser contra os dois polos da disputa e 3% não se posicionaram.
Entre os homens, o sentimento antipetista ainda lidera, embora tenha caído de 37% para 32% nos últimos dois meses. Nesse eleitorado, 29% se dizem antibolsonaristas e 26% independentes – 10% afirmam se contra os dois e 3% não souberam se posicionar.
Na última semana, após o vídeo-bomba de Michelle, Flávio Bolsonaro bateu o marte e intensificou a busca por uma vice mulher, preferencialmente evangélica, para tentar minimizar a nova cria após o derretimento nas pesquisas pela revelação do elo com Vorcaro.
No entanto, a reação do senador, em escalar a esposa, a dentista Fernanda Bolsonaro, e Daniella Marques Consentino, a “Paulo Guedes de Saias” escalada para coordenar a campanha na área econômica, pode provocar um efeito reverso por comprovar a face machista e misógina do “01” de Jair Bolsonaro (PL).
Além disso, na sexta-feira (26), Alcides Fernandes (PL-CE), pai de André Fernandes (PL-CE) e pivô da crise instalada no clã Bolsonaro em torno do apoio a Ciro Gomes (PSDB), gravou um vídeo reforçando ataques a Michelle. A publicação foi feita um dia antes de os Fernandes se reunirem com Flávio, que confirmou a negociata no Ceará, contrariando a madrasta.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/flavio-bolsonaro-mulheres-e-evangelicos/

