Tariflávio: Flávio Bolsonaro vai encenar pedido a Trump para suspender taxação em primeira interferência nas eleições no Brasil

Submisso aos interesses dos EUA, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fará uma encenação em sua fala de 5 minutos na audiência pública marcada pela Casa Branca para o próximo dia 6 de julho para discutir a nova taxação de 25% sobre produtos brasileiros decretada pelo USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA) logo após a visita que ele fez a Donald Trump em 26 de maio.

LEIA TAMBÉM:
A estratégia de Trump e o bolsonarismo: como a extrema direita global tenta minar as eleições no Brasil

Documento expõe farsa de Flávio Bolsonaro em “agenda VIP” e audiência “contra” o tarifaço de Trump

Segundo o coordenador da pré-campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN), Flávio deve pedir para Trump suspender o novo tarifaço até o resultado das eleições no Brasil, em outubro. A nova taxação, trabalhada por Flávio e o irmão Eduardo Bolsonaro (PL-SP), causou novo desgaste nas pesquisas, que já apontavam um derretimento após a revelação do elo com Daniel Vorcaro e o caso Master.

“Vamos pedir que seja suspenso o processo durante o período eleitoral, e depois as partes podem se sentar na mesa de uma forma séria e responsável, sem palavras de ordem, com quem tiver obtido legitimidade política no voto, durante um processo de transição”, afirmou Marinho à Folha, já contando com a vitória do candidato do PL.

A ideia de Flávio Bolsonaro é parecer defensor dos interesses do Brasil durante o início de seu discurso. O restante da fala deve ser usada para atacar Lula e gerar cortes para serem usados nas redes sociais.

O plano do “01” de Jair Bolsonaro é que Trump inicie a interferência nas eleições brasileiras encenando que deve levantar as tarifas a pedido dele.

Caso isso ocorra, Flávio Bolsonaro deve usar o factóide para tentar convencer empresários a embarcarem em sua candidatura, ressaltando a diplomacia fake na relação com Trump. No dia 15 de julho, o USTR vai divulgar se irá realmente oficializar a taxação.

TariFlávio e a narrativa da audiência

Acuado no Brasil pelo avanço das investigações envolvendo o Banco Master, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), agora rebatizado nas redes como “TariFlávio“, decidiu fabricar uma agenda internacional de estadista.

O parlamentar transformou uma audiência pública de rotina nos Estados Unidos, que debaterá a imposição de tarifas contra produtos brasileiros, em uma cortina de fumaça sob medida para tentar limpar sua imagem.

Flávio viaja a Washington no dia 6 de julho para discursar contra a proposta do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) de taxar bens do Brasil em 25%. A narrativa que o clã tenta emplacar, no entanto, esbarra na frieza dos registros oficiais: não há convite especial da Casa Branca, nem tapete vermelho estendido pelas lideranças do trumpismo.

O aviso publicado no Federal Register não deixa margem para o delírio diplomático. O documento informa claramente que qualquer pessoa, empresa ou entidade interessada poderia se inscrever através de um portal aberto no dia 2 de junho. O “TariFlávio” preencheu um formulário online, como qualquer cidadão comum faria, e solicitou módicos cinco minutos de fala, o tempo padrão destinado a qualquer inscrito.

O “salvador da pátria” TariFlávio e o neofascismo global

O núcleo da manobra política está no documento que o próprio senador enviou ao USTR. Na peça, ele tenta “dar carteirada”, apresentando-se como figura da oposição e “pré-candidato declarado” à Presidência da República em 2026. Para encorpar a farsa, faz questão de registrar supostos encontros com Donald Trump, o vice-presidente J.D. Vance e o senador Marco Rubio.

A tese que Flávio tentará vender para sua base é transparente: diante das sanções comerciais americanas, ele seria o único líder brasileiro com trânsito livre para dialogar com a nova ordem da extrema direita mundial. A intenção é voltar ao Brasil posando como o negociador internacional que “salvou” empresas brasileiras da tarifa de 25% ,  uma sanção, ironicamente, desenhada pelo próprio campo político que ele idolatra.

No resumo de seu testemunho, o senador afirma que vai defender a suspensão da tarifa e propor um mecanismo bilateral de negociação, alegando que não vai “implorar por alívio”, mas firmar uma parceria. É um discurso inflamado e inócuo, formatado exclusivamente para gerar cortes no WhatsApp e no Telegram bolsonaristas.

A fuga do Banco Master

A audiência faz parte de uma investigação da Seção 301 do governo americano sobre práticas do Brasil em áreas como comércio digital, propriedade intelectual e desmatamento. A página oficial da USTR confirma que o processo recebeu comentários escritos e pedidos de comparecimento de forma amplamente pública, sem exigência de qualquer chancela política ou cargo eletivo.

O teatro armado em Washington atende a uma urgência existencial de Flávio Bolsonaro no Brasil: sumir do noticiário policial. O autoproclamado diplomata precisa desesperadamente abafar sua relação com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Como a Fórum revelou, Flávio confirmou ter pedido dinheiro diretamente ao banqueiro. A crise atingiu o ponto de fervura quando a produtora do filme “Dark Horse” o desmentiu publicamente, negando ter recebido qualquer repasse de Vorcaro. O nível de intimidade entre o senador e o banqueiro se mostrou tão profundo que Flávio chegou a agir como *promoter* de luxo, oferecendo-se para levar um ator de Hollywood para jantar com o empresário.

A viagem aos Estados Unidos é, no fim das contas, uma rota de fuga. Flávio tenta trocar a incômoda cadeira de investigado por movimentações suspeitas pelo púlpito de um falso estadista no exterior. Resta saber se os cinco minutos de microfone aberto em uma audiência burocrática serão suficientes para esconder a sombra gigantesca do Banco Master.

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/flavio-bolsonaro-trump-interferencia-eleicoes/