Flávio faz dobradinha com Cidade Alerta para tocar terror sobre PCC e CV

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) usou um trecho do Cidade Alerta, da Record, para tocar terror sobre o avanço do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC). Na legenda da publicação, feita no X, o filho de Jair Bolsonaro afirma que “25% dos brasileiros moram em áreas dominadas por narco-terroristas” e diz que o país precisa “recuperar esses territórios”.

O post não apresenta a origem do percentual citado. A operação política, porém, é explícita. Flávio pega o tom policialesco da Record, adota o vocabulário usado pelo governo Donald Trump e tenta transformar a presença de facções em territórios brasileiros em prova de que o país precisaria aderir à lógica norte-americana de contraterrorismo.

A publicação ocorre no momento em que a família Bolsonaro tenta capitalizar a decisão dos Estados Unidos de classificar PCC e CV como organizações terroristas estrangeiras. A medida foi oficializada no diário oficial dos EUA e passou a ser usada por Flávio como vitrine eleitoral após sua articulação com aliados de Trump em Washington.

A Revista Fórum mostrou que Flávio Bolsonaro pretende usar PCC e CV na campanha eleitoral. A classificação das facções pelos EUA virou peça central da tentativa do senador de se apresentar como nome da extrema direita para a segurança pública, mesmo que a medida abra uma crise sobre soberania, cooperação policial e efeitos econômicos no Brasil.

Medo como método de Flávio Bolsonaro

A postagem segue uma fórmula conhecida da extrema direita. O programa policialesco entrega a imagem de colapso. O senador acrescenta a moldura política. O resultado é uma mensagem simples, feita para circular nas redes: o Brasil estaria dominado por “narco-terroristas” e a saída viria do enquadramento defendido por Trump.

O problema não está em reconhecer a gravidade do PCC e do CV. As facções têm atuação violenta, controlam territórios, disputam rotas do tráfico, movimentam dinheiro em mercados legais e ilegais e desafiam o Estado em várias regiões do país. A distorção está em usar esse diagnóstico para vender como solução uma classificação estrangeira que não substitui investigação, inteligência financeira, integração policial e presença permanente do poder público.

No Brasil, PCC e CV seguem enquadrados como organizações criminosas. A mudança feita pelos Estados Unidos produz efeitos para a política externa e para o sistema financeiro sob jurisdição norte-americana, mas não altera automaticamente a legislação brasileira nem resolve o domínio territorial das facções.

De Washington ao palanque digital

A ofensiva de Flávio também tenta apagar os alertas feitos no Brasil. A Fórum publicou que o Fórum Brasileiro de Segurança Pública vê risco à soberania nacional na decisão dos EUA. A preocupação é que o rótulo de terrorismo seja usado como instrumento de pressão externa, sem atacar as estruturas econômicas que sustentam as facções.

Outro risco é operacional. Como a Fórum também mostrou, classificar PCC e CV como terroristas pode fragilizar a cooperação policial, ao deslocar investigações de crime organizado para uma lógica de contraterrorismo, mais burocrática e menos adequada ao trabalho cotidiano entre autoridades brasileiras, FBI e DEA.

Mesmo assim, Flávio insiste em apresentar a decisão de Trump como vitória política. A Fórum já havia mostrado que Trump e Flávio Bolsonaro miram a soberania e o sistema financeiro do Brasil, porque sanções associadas ao enquadramento de terrorismo podem pressionar bancos, fintechs e empresas brasileiras com vínculos diretos ou indiretos com setores infiltrados pelo crime organizado.

https://x.com/FlavioBolsonaro/status/2063743964688093333

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/flavio-cidade-alerta-pcc-cv/