Flávio Bolsonaro sugere que seja alvo de “perseguição” da Polícia Civil de Tarcísio em SP

O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), tentou nesta segunda-feira (1º) enquadrar a operação da Polícia Civil de São Paulo contra a produtora do filme Dark Horse como uma suposta “perseguição estatal”. O argumento, no entanto, revela uma contradição: a ação foi conduzida pela polícia paulista, vinculada ao governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos), seu aliado, e não por órgãos federais, desmentindo a narrativa de perseguição do governo Lula.

“Só espero que não seja uma perseguição estatal por parte de alguns setores para influenciar as eleições”, disse Flávio em entrevista.

“Não quero crer que uma parte da polícia esteja sendo usada para fins eleitoreiros. E usar uma operação como essa não para ver se teve algum problema nesse contrato de wi-fi, mas para tentar, por uma via transversa, uma chamada ‘pescaria probatória’, tentar encontrar alguma coisa que vá contra o filme do presidente Bolsonaro”, acrescentou.

Veja vídeo:

https://x.com/SamPancher/status/2061593270480785601

Ricardo Nunes sai em defesa da produtora

Antes mesmo das manifestações de Flávio, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), havia saído em defesa da produtora do filme e sugerido que a operação pudesse se tratar de “perseguição política”.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, reagiu, apontando exatamente a mesma contradição observada na fala de Flávio.

“Ricardo Nunes correu para defender a produtora do filme de Bolsonaro e falou em ‘perseguição política’, mas esqueceu de um detalhe inconveniente: a investigação está sendo conduzida pela Polícia Civil de seu aliado Tarcísio de Freitas. Mais uma vez, tenta transformar apuração em narrativa para escapar do essencial: os contratos suspeitos da sua gestão, desta vez para servir ao esgoto do bolsonarismo”, escreveu o ministro no X.

https://x.com/GuilhermeBoulos/status/2061611346320409049

Em evento promovido pela rádio Itatiaia, Flávio reforçou sua defesa da gestão municipal, alvo da operação da Polícia Civil.

“Não há absolutamente nada de errado, confio no trabalho da Prefeitura de São Paulo, foi tudo explicado, algo bem anterior ao filme [‘Dark Horse’]”

Operação Wi-Fi mira contratos suspeitos da gestão Nunes

A operação da Polícia Civil, denominada “Operação Wi-Fi”, investiga o contrato de R$ 108 milhões firmado entre a prefeitura de São Paulo, sob comando de Ricardo Nunes, e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Ferreira da Gama. O ICB é responsável por gerenciar o programa Wi-Fi Livre SP, destinado à implantação, operação e manutenção de 5 mil pontos públicos de internet gratuita em comunidades da periferia.

As suspeitas incluem direcionamento na contratação, pagamento por serviços não prestados e possível desvio de recursos públicos para custear atividades da produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme Dark Horse. A Polícia Civil apontou sobrepreço: cada ponto instalado pelo instituto custava R$ 1.800, enquanto a Prodam, empresa pública municipal de tecnologia, realiza o mesmo serviço por R$ 230.

Como parte da investigação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao ICB, à Go Up e à Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia. Os policiais também analisam documentos e movimentações financeiras, incluindo possíveis transferências de recursos do instituto para a produtora do filme.

Suspeitas de financiamento cruzado e repercussão política

A Go Up Entertainment já é alvo de investigação da Polícia Federal (PF), que apura o financiamento do filme com recursos de Daniel Vorcaro, do Banco Master. Reportagens do Intercept Brasil mostraram que R$ 61 milhões foram repassados supostamente para a produção do longa, mas há suspeitas de que parte dos recursos podem ter sido utilizados para despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

Flávio ainda afirmou que a repercussão sobre o filme e os recursos de Vorcaro estaria sendo usada como “cortina de fumaça” para problemas do país.

A operação evidencia que, mesmo entre aliados políticos, Flávio Bolsonaro tenta transformar investigações legítimas em narrativa de perseguição, ignorando que a apuração é conduzida por autoridades estaduais vinculadas a seu próprio campo político.

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/flavio-perseguicao-policia-tarcisio/