Fora da UTI, Bolsonaro segue tratamento no hospital e aguarda decisão de Moraes sobre prisão domicilar

Após ser transferido para o quarto nesta segunda-feira (23), deixando a Unidade de Tratamento Intensivo, Jair Bolsonaro (PL) segue em “tratamento de pneumonia bacteriana bilateral decorrente de episódio de broncoaspiração” sem previsão de alta hospitalar, segundo boletim médico divulgado no início da tarde desta terça-feira (24).

“Devido a melhora clínica, paciente recebeu alta da unidade de terapia intensiva no dia de ontem. No momento segue com antibioticoterapia endovenosa, suporte clínico e fisioterapia respiratória e motora”, diz o texto, assinado por cinco médicos da equipe que trata o ex-presidente.

A melhora no quadro clínico de Bolsonaro ocorre após o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, emitir parecer a favor da prisão domiciliar humanitária ao ex-presidente.

Após a manifestação da PGR, Michelle Bolsonaro se reuniu com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a quem caberá a decisão final sobre a questão.

O ex-presidente está hospitalizado no Hospital DF Star em Brasília, desde 13 de março, após passar mal na Papudinha, unidade prisional no Complexo Penitenciário da Papuda, onde estava preso desde então.

Na reunião, realizada no gabinete do ministro, a ex-primeira-dama apresentou argumentos médicos, incluindo o risco de broncoaspiração, para defender que Bolsonaro não permaneça sozinho durante a noite.

O que mais chamou atenção, porém, foi a ausência de advogados da defesa e de integrantes da família. Michelle optou por conduzir a conversa diretamente, sem intermediação formal. O movimento, segundo a jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, irritou aliados e foi interpretado como tentativa de protagonismo político.

A postura contrasta com a atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que participou recentemente de agenda semelhante com Moraes, acompanhado de advogados e na condição de integrante formal da defesa do pai.

A expectativa no entorno bolsonarista é de que Moraes decida em breve sobre o pedido de prisão domiciliar. A Procuradoria-Geral da República (PGR) já se manifestou favoravelmente à medida, o que aumentou a pressão por uma decisão positiva.

Ainda assim, o episódio da audiência reforçou tensões internas em um momento considerado delicado tanto judicial quanto politicamente.

Crise familiar já vinha se intensificando

O movimento de Michelle ocorre em meio a uma disputa aberta dentro da família Bolsonaro, que se arrasta desde o fim de 2025 e ganhou novos capítulos em 2026.

O principal foco do conflito envolve a pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro à presidência. Michelle tem resistido a apoiar publicamente o enteado, o que gerou críticas diretas de Eduardo Bolsonaro e indiretas de Carlos Bolsonaro (PL-RJ).

Eduardo chegou a acusar Michelle de ignorar a campanha do irmão, enquanto Carlos publicou mensagens sugerindo falta de engajamento dentro do próprio núcleo familiar. A ex-primeira-dama, por sua vez, reagiu publicamente, afirmando que tem autonomia sobre suas posições e que não cederia a pressões políticas.

Disputas políticas ampliaram o racha

Além da sucessão presidencial, divergências estratégicas eleitorais aprofundaram o desgaste. Michelle criticou duramente articulações conduzidas por Flávio, especialmente tentativas de aliança com Ciro Gomes no Ceará.

Em publicações recentes nas redes sociais, ela classificou as negociações como parte de um “jogo sujo” e afirmou que não abriria mão de seus valores políticos, mesmo diante de decisões articuladas pelo próprio grupo.

O embate chegou a incluir trocas públicas de acusações, críticas sobre condução política e até insinuações de deslealdade dentro do clã.

A ida solo ao STF é vista por interlocutores como mais um capítulo dessa disputa. Ao dispensar advogados e familiares, Michelle reforçou uma atuação independente — algo que, para aliados dos filhos de Bolsonaro, fragiliza a estratégia conjunta da família.

 

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/fora-da-uti-bolsonaro-segue-tratamento-no-hospital-e-aguarda-decisao-de-moraes-sobre-prisao-domicilar/