A iniciativa do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), de espalhar pedágios no sistema free flow pelas rodovias do estado, vem provocando ao longo dos meses reações muito negativas, principalmente nas redes sociais.
Pesquisa realizada pela Escola de Comunicação, Mídia e Informação da Fundação Getulio Vargas (FGV Comunicação), desenvolvida a pedido da CNN, aponta inúmeras críticas à medida de Tarcísio.
O sistema free flow, que substitui as tradicionais praças por pórticos com leitura eletrônica de veículos, já conta com estruturas instaladas em diferentes trechos.
O levantamento analisou 300 mil menções ao tema, entre janeiro de 2025 e fevereiro de 2026, em plataformas como X, Instagram, YouTube, Facebook, Bluesky e fóruns online.
Tarcísio aparece em 22% das postagens sobre pedágios, o que fez com que ele seja o político mais associado ao tema. As referências ao governador de São Paulo sobre o assunto têm forte caráter negativo. Os conteúdos com maior engajamento são predominantemente críticos ao modelo de pedágio e mencionam diretamente o político carioca.
O estudo mostra, ainda, que o presidente Lula (PT) aparece em cerca de 4% das citações sobre pedágios, frequentemente com críticas a Tarcísio. Eduardo Leite (PSD), governador do Rio Grande do Sul, aparece com 3% das menções, associado à implementação do modelo free flow em rodovias estaduais.
A quantidade de referências cresceu significativamente durante 2025, registrando aumento de 5,7 vezes na média mensal de posts no segundo semestre do ano passado, em comparação com os primeiros seis meses do ano. Em 2026, o volume diminuiu, mas continua elevado.
Tarcísio adia free flow para depois das eleições
O governo de São Paulo decidiu adiar a implantação da cobrança automática de pedágios no modelo free flow em rodovias administradas pela concessionária Rota Sorocabana. A mudança, anunciada pela gestão de Tarcísio de Freitas, empurra o início da tarifação para janeiro de 2027, apesar de o cronograma inicial prever a operação ainda em 2026.
Como contrapartida, o Estado terá que pagar multa à concessionária pelo período em que o sistema ficará pronto, mas sem gerar receita. O cálculo do valor ainda será concluído pela Artesp, responsável por regular o setor, e levará em consideração o fluxo estimado de veículos nas rodovias concedidas.
A iniciativa tem enfrentado muita resistência. O free flow amplia o número de pontos de cobrança e tem sido alvo de críticas de prefeitos e lideranças políticas, que questionam impactos financeiros para usuários frequentes.
Levantamento da bancada do PT na Assembleia Legislativa aponta que o plano estadual prevê mais de uma centena de novos pórticos. No caso da Rota Sorocabana, o número atual é menor do que o inicialmente projetado, mas ainda assim considerado significativo por críticos.
O adiamento ocorre em meio ao calendário eleitoral, já que o modelo seria implementado justamente em 2026, ano de eleições, o que contribuiu para aumentar a pressão política sobre o governo estadual.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/free-flow-tarcisio-apanha-redes-sociais/

